ERG, EOG e PEV: diferenças entre os exames de eletrofisiologia visual
Saiba o que ERG, EOG e PEV avaliam, como os registros são feitos e por que resultados alterados precisam de interpretação clínica.

A visão depende da retina e dos sinais que ela envia ao cérebro. O eletrorretinograma (ERG) registra respostas da retina à luz ou a padrões. O eletrooculograma (EOG) avalia uma resposta ligada à retina e à sua camada de suporte durante a mudança de iluminação. O potencial evocado visual (PEV) registra a resposta cerebral a um estímulo visual.
Cada exame ajuda a esclarecer uma parte do funcionamento visual. A escolha depende dos sintomas e do exame clínico; fazer um deles não obriga a fazer os outros.
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Do olho ao cérebro, cada registro tem um foco
A retina transforma a luz em sinais que seguem até o cérebro. Essa comunicação permite enxergar. Registrar respostas em etapas diferentes ajuda a investigar onde o funcionamento está alterado.
O ERG concentra a análise na retina. O EOG acrescenta informação sobre sua relação com a camada de suporte. Já o PEV registra uma resposta visual na parte de trás da cabeça. O local dos sensores muda conforme o sinal que se quer estudar.123
ERG: respostas da retina à luz ou a padrões
O tipo de ERG define a função e a região estudadas. No campo total, flashes em condições de escuro e claridade ajudam a avaliar o funcionamento global da retina. Outras modalidades analisam respostas centrais com estímulos e exigências diferentes.
- Campo total: resposta conjunta de uma área ampla, com contribuição pequena da mácula.
- Multifocal: respostas de diferentes regiões centrais da retina, úteis para localizar alterações no funcionamento.
- Padrão: resposta a mudanças de contraste, como um tabuleiro, com informação sobre a região central da retina.45
Uma alteração localizada na mácula pode coexistir com campo total normal. O guia do eletrorretinograma explica as modalidades e a experiência do teste. A escolha pode ser diferente na retinose pigmentar e em doenças com predomínio macular, como Stargardt.1
EOG: a resposta à mudança entre escuro e claridade
No EOG, você move os olhos entre dois alvos nas laterais. Sensores na pele, próximos aos cantos dos olhos, fazem os registros. Há etapas no escuro e na claridade para estudar uma resposta ligada à retina e à sua camada de suporte.2
Qual sinal o EOG mede e o que a camada de suporte faz
O EOG acompanha mudanças de um potencial elétrico do olho durante a adaptação ao escuro e à luz. Os movimentos entre os alvos permitem obter essa medida.
A resposta depende da interação entre as células que captam luz, os fotorreceptores, e o epitélio pigmentado, uma camada que ajuda a sustentá-las.
Essa medida não corresponde a uma avaliação geral de todos os movimentos dos olhos nem identifica uma alteração no DNA.
O EOG pode acrescentar informação em suspeitas selecionadas, como doenças relacionadas ao gene BEST1, incluindo a doença de Best. Um EOG alterado, porém, não confirma sozinho um gene ou diagnóstico. É necessário comparar o resultado com o ERG, as imagens e a avaliação clínica.2
PEV: resposta visual registrada na cabeça
O PEV ajuda a investigar a transmissão da informação visual até o cérebro. Pequenos contatos ficam no couro cabeludo enquanto você observa estímulos. A sigla inglesa VEP pode aparecer no pedido e corresponde ao mesmo nome de exame.
Você observa um padrão de contraste, como um tabuleiro que muda, ou flashes. É importante olhar para o ponto indicado e seguir as orientações da equipe. A escolha do estímulo depende do que se quer investigar e das condições para realizar o teste.
Um PEV alterado não confirma sozinho uma lesão no nervo óptico. A qualidade da imagem que chega à retina e alterações da própria retina também podem influenciar a resposta. O resultado precisa ser comparado aos demais exames.3
Quando há suspeita relacionada ao nervo óptico ou às vias visuais, a avaliação de neuroftalmologia pode complementar a investigação. Essa área integra a atuação do Dr. Samir Cavero Crespo. A escolha dos testes depende do exame clínico, e não apenas do nome do sintoma.
O que muda na experiência de cada exame
Os sensores captam sinais; não dão choques para estimular o olho. As tarefas e o preparo mudam entre os registros. Confirme o nome completo do pedido e quanto tempo reservar.6
| Exame | O que você costuma fazer | Como o sinal é captado |
|---|---|---|
| ERG | Observar flashes ou padrões, conforme a modalidade. O campo total inclui adaptação à iluminação. | Contatos na pele ou próximos da superfície ocular, conforme a técnica. |
| EOG | Mover os olhos entre alvos laterais em etapas de escuro e claridade. | Contatos na pele próximos aos cantos dos olhos. |
| PEV | Observar um padrão que muda ou flashes, com atenção às orientações de fixação. | Contatos no couro cabeludo, incluindo a região posterior da cabeça. |
Por que um resultado alterado não fecha a causa
A equipe confere a qualidade do registro antes de atribuir uma alteração à doença. Movimentos, atenção e condições do exame podem interferir. Às vezes, adaptar ou repetir uma etapa é necessário para obter um resultado confiável.235
Quais detalhes técnicos entram na interpretação
No EOG, os movimentos entre os alvos precisam ser consistentes. A adaptação à iluminação e o contato dos eletrodos também entram na avaliação.
No PEV por padrão, grau sem correção, catarata ou dificuldade para manter o olhar no alvo podem prejudicar a imagem e o registro. Alterações da retina também influenciam a resposta.
O PEV por flashes pode ser útil quando não é possível obter um registro por padrão confiável. Os protocolos têm sensibilidades e limitações diferentes.
No ERG de padrão, a resposta acrescenta informação sobre a mácula e células chamadas ganglionares, que fazem parte dos circuitos da retina.
O OCT de mácula acrescenta informação estrutural. O guia sobre OCT, ERG e genética explica como os dados se complementam. Uma função alterada não identifica sozinha a causa molecular, e um exame normal não exclui todas as condições visuais.
Quando a investigação sugere hereditariedade, pode ser discutido um teste molecular. Veja o guia de painel, exoma e genoma e a explicação sobre resultados negativos ou inconclusivos. A avaliação funcional ajuda a orientar essa busca, sem garantir uma resposta genética.

Como preparar a consulta e o dia do teste
Leve o pedido, seus óculos e os exames anteriores completos. Se já fez eletrofisiologia, inclua os traçados, além da conclusão do laudo. Informe limitações para fixar o olhar, movimentar os olhos ou manter a atenção. Elas ajudam a planejar um registro possível e interpretável.
- Confirme o preparo: colírios e dilatação dependem do exame e do método. Evite assumir que a instrução de um teste vale para os demais.
- Planeje a saída: se houver dilatação, não dirija enquanto a visão estiver embaçada ou a luz incomodar.
- Para crianças: pergunte como a equipe adapta as tarefas à idade. Sedação não é preparo de rotina e pode modificar os sinais, especialmente no PEV.63
Na consulta de genética ocular com o Dr. Daniel Omote, a interpretação reúne a história e os exames. Confirme o local de realização e o protocolo antes de agendar cada teste. A biblioteca de genética ocular reúne os guias para consultar suas dúvidas antes da consulta de retorno.
Fontes e referências
International Society for Clinical Electrophysiology of Vision (ISCEV): padrões de ERG de campo total, multifocal e padrão, EOG e PEV. Moorfields Eye Hospital: informações para pacientes sobre estímulos, contatos e preparo.
- Robson AG, Frishman LJ, Grigg J, et al. ISCEV Standard for full-field clinical electroretinography (2022 update). Doc Ophthalmol. 2022;144(3):165–177.
- Hoffmann MB, Bach M, Kondo M, et al. ISCEV standard for clinical multifocal electroretinography (mfERG) (2021 update). Doc Ophthalmol. 2021;142(1):5–16.
- Thompson DA, Bach M, McAnany JJ, Šuštar Habjan M, Viswanathan S, Robson AG. ISCEV standard for clinical pattern electroretinography (2024 update). Doc Ophthalmol. 2024;148(2):75–85.
- Constable PA, Bach M, Frishman LJ, Jeffrey BG, Robson AG; International Society for Clinical Electrophysiology of Vision. ISCEV Standard for clinical electro-oculography (2017 update). Doc Ophthalmol. 2017;134(1):1–9.
- Šuštar Habjan M, Bach M, van Genderen MM, et al. ISCEV standard for clinical visual evoked potentials (2025 update). Doc Ophthalmol. 2025;151(2):97–112.
- Moorfields Eye Hospital. Electrophysiology in adults. Informação para pacientes, revisão prevista para outubro de 2026.
Esclareça qual pergunta seu exame deve responder
Dúvidas comuns sobre este tema
PEV e VEP são exames diferentes?
As siglas correspondem a potencial evocado visual, em português, e visual evoked potential, em inglês. O protocolo ainda precisa ser especificado, pois pode usar padrões de contraste ou flashes.
Posso trocar o exame pedido por outro da lista?
Não faça essa troca sem discutir com o médico. ERG, EOG e PEV têm focos diferentes. Mesmo dentro do ERG, campo total, multifocal e padrão não são modalidades intercambiáveis.
Por que preciso olhar para dois lados no EOG?
Esses movimentos permitem obter a medida do EOG. Comparar as respostas no escuro e na claridade ajuda a avaliar a relação entre a retina e sua camada de suporte. Siga o ritmo orientado pela equipe.
EOG alterado confirma doença de Best?
Não sozinho. O achado pode ser útil nessa suspeita, mas precisa ser comparado às imagens, ao ERG e à avaliação clínica. Um resultado funcional não confirma, por si só, uma alteração no gene BEST1.
PEV alterado sempre significa lesão no nervo óptico?
Não. Alterações da retina, grau sem correção, qualidade da imagem e dificuldade de fixação podem interferir. A localização da causa exige interpretar o conjunto, e não apenas o traçado.
Preciso levar os óculos mesmo que o exame seja elétrico?
Sim, leve e confirme as instruções. Nos registros por padrão, enxergar o estímulo adequadamente é importante. A equipe verifica a correção óptica necessária para a distância do teste.
Esses exames identificam a mutação que causa a doença?
Não diretamente. Eles estudam respostas funcionais e podem orientar a hipótese clínica. A investigação de variantes no DNA é uma etapa distinta, indicada conforme o quadro.
É possível fazer os três no mesmo dia?
Isso depende da indicação, da combinação de protocolos e da organização do serviço. Adaptação à iluminação, fadiga e colaboração podem influenciar o planejamento. Confirme a necessidade de cada teste e a duração prevista.
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