Doença de Best e lesões viteliformes: diagnóstico e acompanhamento
Uma lesão amarelada na mácula pode ter diferentes causas. Entenda doença de Best, BEST1, EOG, genética e mudanças visuais que precisam de avaliação rápida.

Uma lesão amarelada na mácula pode ter diferentes causas. Uma delas é a doença de Best, uma condição hereditária geralmente ligada ao gene BEST1. Ela pode afetar a visão central, usada para ler e reconhecer rostos. O aspecto amarelado, chamado viteliforme, ajuda na investigação, mas não define sozinho o diagnóstico.
A alteração pode ser descoberta na infância ou mais tarde, inclusive antes de causar uma dificuldade importante. A idade de início e a intensidade da perda visual variam. O diagnóstico reúne a história, as imagens, os testes funcionais e, quando indicado, a análise genética.12
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O que significa encontrar material viteliforme na mácula
A alteração fica na região usada para enxergar detalhes. Essa região, a mácula, faz parte da retina no fundo do olho. Alterações nela e na camada que sustenta suas células podem dificultar a leitura e fazer linhas parecerem tortas.
O termo viteliforme descreve uma aparência semelhante à gema de ovo. Ele se refere ao material amarelado que se acumula nessa região. Para entender a causa e a repercussão na visão, o médico compara esse aspecto com os sintomas e os demais exames.1
De onde vem o material e qual é a camada de suporte
O material viteliforme está relacionado a componentes e resíduos celulares, incluindo uma substância chamada lipofuscina.
Abaixo das células que detectam luz fica o epitélio pigmentar da retina, que ajuda a sustentá-las. O gene BEST1 participa do funcionamento dessa camada.
A visão e a aparência da lesão podem mudar de maneiras diferentes. Por isso, os retornos comparam as imagens com sua capacidade de ler e realizar outras tarefas. A cor e o tamanho da lesão não resumem essa avaliação.3
Doença de Best e outras causas de lesões parecidas
A forma clássica de Best costuma envolver o BEST1 e herança dominante. Pessoas da mesma família podem apresentar sinais e dificuldades em momentos diferentes. Uma apresentação mais tardia também é possível.
Há formas viteliformes do adulto e outras distrofias de padrão, algumas associadas a genes como PRPH2. Existem também lesões viteliformes adquiridas em outras doenças da mácula. Portanto, descobrir a lesão na vida adulta não permite concluir automaticamente que seja Best, uma condição hereditária específica ou degeneração macular relacionada à idade.13
Outras causas de perda central também precisam ser consideradas, como a doença de Stargardt. As distrofias de cones e cones-bastonetes podem motivar uma investigação diferente de função e extensão da alteração. Os sintomas orientam hipóteses, sem identificar sozinhos um gene.
O que cada exame ajuda a esclarecer
Os exames mostram onde está o material e como a retina funciona. A escolha depende do que foi encontrado na avaliação da visão e do fundo do olho:24
| Exame | O que acrescenta | Limite para interpretar |
|---|---|---|
| OCT de mácula | Camadas da retina, posição do material e presença de líquido ou perda de tecido. | Líquido não demonstra sozinho a existência de vasos anormais nem define o gene. |
| Retinografia | Documentação do aspecto do fundo do olho para comparação. | Uma fotografia isolada não estabelece a causa. |
| Autofluorescência | Distribuição do sinal natural de materiais da retina, que pode mudar com a fase da lesão. | Não mede diretamente quanto você enxerga. |
| Eletro-oculograma, ou EOG | Uma resposta ligada à retina e à sua camada de suporte durante a mudança entre escuro e claridade. | Pode ajudar a distinguir quadros, mas não é um teste direto do BEST1. |
| Eletrorretinograma, ou ERG | Respostas funcionais de uma área ampla ou central, conforme a modalidade. | O campo total pode ser normal em uma alteração predominantemente macular. |
A comparação entre ERG, EOG e PEV explica as modalidades de eletrofisiologia. O guia de OCT, função e genética mostra como integrar resultados que parecem diferentes.
Por que um EOG normal não encerra toda a investigação
Um EOG normal não exclui sozinho a doença de Best. Embora o resultado costume estar alterado na forma clássica, há exceções. Da mesma forma, um resultado alterado precisa combinar com as imagens e os demais achados para esclarecer a causa.45
Quais exceções e detalhes do EOG entram na interpretação
Há casos de Best com confirmação molecular e resposta do EOG dentro da faixa considerada normal. Essa exceção é descrita no estudo de Khan e colaboradores.
A equipe confere a qualidade do registro e os valores de referência. Movimentos oculares imprecisos e outros artefatos podem prejudicar a medida.
O EOG também pode estar alterado em outras condições. A comparação com a história e as imagens continua necessária.
BEST1, herança e interpretação do laudo
O BEST1 pode estar relacionado a condições com formas diferentes de herança. O risco para filhos e familiares depende de qual delas explica o seu quadro. Não basta encontrar o nome do gene no laudo.2
Como a forma recessiva relacionada ao BEST1 difere da Best clássica
Além da Best clássica, existe a bestrofinopatia autossômica recessiva. Nela, alterações causadoras de doença nas duas cópias do BEST1 podem produzir um quadro mais amplo.
Podem aparecer depósitos e líquido em diferentes regiões. Essa apresentação exige interpretação própria dos exames e da herança.
Mesmo sem outros casos conhecidos, uma causa hereditária continua possível. Alguns parentes podem ter sinais discretos ou ainda não reconhecidos.
A escolha entre uma análise dirigida e outras estratégias deve considerar os achados. O guia de painel, exoma e genoma explica o alcance da investigação. Na consulta de genética ocular, também se discute se estudar parentes ajudará a esclarecer uma dúvida específica.
Uma variante de significado incerto, ou VUS, não confirma sozinha a causa e não deve fundamentar decisões clínicas ou reprodutivas. Um resultado negativo pode deixar a investigação em aberto. O guia do laudo negativo ou inconclusivo detalha esses limites.6

Como acompanhar a visão e reconhecer mudanças
Os retornos servem para comparar a visão e procurar complicações. Leve os exames anteriores e descreva mudanças na leitura ou nos rostos. A frequência depende dos achados. Na infância, o acompanhamento também considera grau e desenvolvimento visual.
Procure avaliação rápida se linhas ficarem tortas de repente, surgir uma mancha central ou houver queda nova da visão. Não espere apenas pelo retorno programado ou pelo teste genético. Esses sintomas podem ter várias explicações, incluindo crescimento de vasos anormais sob a retina, chamado neovascularização.2
Quando tratar uma complicação e como cuidar das tarefas
Se houver neovascularização com indicação de tratamento, o médico pode propor injeções de medicamentos anti-VEGF. Eles reduzem o estímulo ao crescimento e ao vazamento dos vasos. A injeção intravítrea trata essa complicação em situações selecionadas; não é indicada automaticamente para toda lesão viteliforme ou qualquer líquido no OCT.
O benefício e a necessidade de repetir o tratamento dependem do quadro. Essas injeções tratam a complicação vascular, sem corrigir a alteração genética. A recuperação de uma área já danificada não é garantida.2
Se a visão central dificulta as atividades, recursos de baixa visão podem ajudar na leitura e nas telas. Ampliação, contraste e áudio são escolhidos conforme a tarefa. Corrigir o grau e adaptar materiais escolares ou de trabalho também faz parte do cuidado.7
Para organizar a avaliação com o Dr. Daniel Omote, leve imagens, laudos funcionais e genéticos completos, se já existirem. Os artigos de genética ocular ajudam a preparar dúvidas sobre diagnóstico e família.
Fontes e referências
GeneReviews / University of Washington e NIH / MedlinePlus Genetics: manifestações e herança das bestrofinopatias. ISCEV: finalidade e limites do EOG. ACMG e AMP: interpretação de variantes. National Eye Institute: recursos para baixa visão. Os estudos de Khan e de Bastos complementam a discussão sobre EOG normal e diagnósticos com aspecto viteliforme.
- MacDonald IM, Lee T, Lawrence J. Bestrophinopathies. Updated July 16, 2020. In: GeneReviews. Seattle: University of Washington; 1993–2026.
- National Library of Medicine. MedlinePlus Genetics: Vitelliform macular dystrophy. Updated February 14, 2022.
- Bastos RR, Ferreira CS, Brandão E, Falcão-Reis F, Carneiro ÂM. Multimodal image analysis in acquired vitelliform lesions and adult-onset foveomacular vitelliform dystrophy. J Ophthalmol. 2016;2016:6037537.
- Constable PA, Bach M, Frishman LJ, Jeffrey BG, Robson AG; International Society for Clinical Electrophysiology of Vision. ISCEV Standard for clinical electro-oculography (2017 update). Doc Ophthalmol. 2017;134(1):1–9.
- Khan KN, Islam F, Holder GE, et al. Normal electrooculography in Best disease and autosomal recessive bestrophinopathy. Retina. 2018;38(2):379–386.
- Richards S, Aziz N, Bale S, et al. Standards and guidelines for the interpretation of sequence variants: a joint consensus recommendation of the American College of Medical Genetics and Genomics and the Association for Molecular Pathology. Genet Med. 2015;17(5):405–424.
- National Eye Institute. Low vision. Atualizado em 25 de novembro de 2025.
Esclareça a alteração da mácula e a hipótese familiar
Dúvidas comuns sobre este tema
Toda lesão viteliforme é doença de Best?
Não. Viteliforme descreve uma aparência amarelada que pode ocorrer em diferentes condições hereditárias ou adquiridas. A causa depende da história, das imagens, dos testes indicados e da interpretação genética quando necessária.
O material amarelado é pus ou uma infecção?
Na lesão viteliforme, a aparência corresponde a material acumulado na região da retina e de sua camada de suporte. Não é uma secreção na superfície do olho. Essa cor, isoladamente, não indica infecção nem necessidade de antibiótico.
Posso ter doença de Best se a alteração foi descoberta depois de adulto?
Sim, uma descoberta tardia pode ocorrer. Existem também outras causas de lesões viteliformes no adulto. A idade em que a alteração foi notada não é suficiente para atribuir ou afastar o BEST1.
Um EOG normal exclui Best?
Não de forma isolada. Embora o EOG costume estar alterado, casos confirmados podem ter resposta normal. O registro, sua qualidade e os demais achados precisam ser avaliados juntos.
Se o ERG de campo total está normal, minha mácula está normal?
Não necessariamente. O campo total mede uma resposta conjunta de área ampla e pode permanecer normal em alterações predominantemente maculares. Imagens e, em situações específicas, outras modalidades funcionais ajudam a avaliar o centro.
Uma variante no BEST1 sempre significa herança dominante?
Não. Há diferentes condições relacionadas ao BEST1, incluindo uma bestrofinopatia recessiva. A classificação da variante, o número de cópias envolvidas e a compatibilidade clínica precisam ser considerados antes de orientar a família.
Ter líquido no OCT significa que preciso de injeção?
Não automaticamente. É necessário verificar a origem do líquido e se existe complicação vascular com indicação de tratamento. Injeções anti-VEGF não são usadas simplesmente para remover toda lesão viteliforme.
Devo esperar o exame genético se a visão mudar de repente?
Não. Distorção nova, mancha central ou queda recente da visão precisa de avaliação rápida, sem aguardar o laudo molecular. A conduta para uma complicação depende do exame dos olhos e das imagens.
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