Eletrorretinograma: como é feito o ERG e o que ele avalia
Entenda o preparo, os eletrodos e as etapas do eletrorretinograma, as diferenças entre tipos de ERG e os limites do resultado.

O eletrorretinograma registra como a retina responde a estímulos de luz. Também chamado ERG, ele ajuda a investigar o funcionamento dessa camada no fundo do olho. Durante o exame, sensores captam sinais elétricos gerados pela própria retina. Eles não aplicam choques para produzir a resposta.
No exame de campo total, você vê flashes em etapas no escuro e na claridade. Há períodos de espera para os olhos se adaptarem. Confirme com o serviço o preparo e a duração prevista, que também dependem das modalidades solicitadas.1
Outros artigos da Ortolan

ERG, EOG e PEV: diferenças entre os exames de eletrofisiologia visual

OCT, eletrorretinograma e genética: por que os exames se complementam

Painel, exoma ou genoma: como escolher o teste na genética ocular

Teste genético negativo ou inconclusivo: o que o resultado significa

Amaurose congênita de Leber: avaliação precoce, genética e cuidados

Cegueira noturna: causas e como investigar a dificuldade no escuro

Coroideremia: diagnóstico, herança e acompanhamento da visão

Distrofia de cones e cones-bastonetes: sintomas e diagnóstico
Como se preparar para o dia do teste
Peça as instruções do seu exame antes de sair de casa. O preparo muda conforme a modalidade solicitada. Informe alergias a colírios e dificuldades para manter os olhos abertos ou realizar exames anteriores.
- Documentos: leve o pedido e os laudos anteriores, de preferência com os traçados completos de outros ERGs.
- Óculos e lentes de contato: pergunte quais levar e se haverá necessidade de retirar as lentes para o registro.
- Medicamentos e colírios: leve a lista do que usa. Não suspenda tratamentos sem orientação.
- Tempo e retorno para casa: confirme a duração prevista e se haverá dilatação. Planeje transporte adequado caso sua visão fique embaçada.
Dilatar a pupila é comum, mas alguns métodos não precisam dessa etapa. Confirme se esse será o seu caso. A equipe deve registrar o método usado para interpretar o resultado.1
O que acontece durante o ERG de campo total
A equipe posiciona sensores e orienta para onde olhar. Alguns ficam na pele ao redor dos olhos; o sensor que registra a resposta também pode se apoiar perto da pálpebra ou ter contato com a superfície do olho.
Pode haver lacrimejamento ou sensação de corpo estranho. Avise se sentir dor ou desconforto importante. O uso de anestésico em colírio depende do sensor escolhido.1
Quais tipos de eletrodo podem ser usados
Os sensores também são chamados de eletrodos. A equipe pode limpar pequenas áreas da pele antes de posicioná-los.
Há sensores na pele, fios finos que se apoiam próximos da pálpebra inferior e contatos com formato semelhante ao de uma lente. A escolha depende do método e das condições de realização.
O tipo de contato influencia o uso de anestésico em colírio e precisa ser considerado na interpretação dos sinais.
- Adaptação ao escuro: no protocolo padrão de campo total, essa espera é de pelo menos 20 minutos. Siga as orientações sobre luz e telas para não interferir no preparo.2
- Flashes controlados: a luminosidade e a repetição variam entre registros. O aparelho pode usar uma cúpula que distribui a luz pelo campo visual.
- Etapa em claridade: depois da adaptação correspondente, outros estímulos ajudam a avaliar o sistema dos cones.
- Repetições e pausas: ajudam a verificar a consistência dos sinais. Movimentos, piscadas e posição do eletrodo podem interferir.
A espera faz parte do exame. Ela prepara a retina para os registros no escuro e na claridade. A ordem e os tempos podem mudar em protocolos adaptados, que devem ser identificados no laudo.1
O que o eletrorretinograma acrescenta aos exames dos olhos
As imagens mostram o aspecto da retina; o ERG ajuda a avaliar como ela funciona. O OCT de mácula mostra suas camadas centrais, e a retinografia registra o aspecto do fundo do olho. O ERG acrescenta informação sobre respostas à luz. Estrutura, função e informação genética se complementam.
O campo total registra uma resposta conjunta de uma área ampla da retina. As etapas no escuro e na claridade ajudam a avaliar as células ligadas à visão com pouca luz, os bastonetes, e à visão em claridade, os cones.1
Quando o exame pode ajudar na investigação
O pedido deve explicar qual dúvida o teste vai investigar. Ele pode ajudar quando há dificuldade no escuro, alteração de cores ou suspeita de doença hereditária da retina. Também pode esclarecer se o funcionamento está comprometido de forma mais ampla do que as imagens sugerem.
Na retinose pigmentar, o exame pode caracterizar alterações dos sistemas de bastonetes e cones. Na doença de Stargardt, pode contribuir para avaliar comprometimento além da mácula. O tipo de ERG precisa corresponder à pergunta clínica.
O mapeamento de retina e o campo visual podem acrescentar outras informações. Uma resposta elétrica alterada não identifica, sozinha, a doença ou o gene responsável.1
Campo total, multifocal e padrão respondem a perguntas diferentes
Cada modalidade ajuda a observar uma parte diferente do funcionamento da retina. Algumas usam flashes; outras, padrões em uma tela. Nestes casos, olhar para o ponto indicado e usar a correção do grau adequada ajuda na qualidade do registro.34
| Modalidade | Estímulo e foco da avaliação | Limite importante |
|---|---|---|
| Campo total | Flashes difusos avaliam a resposta global da retina em escuro e claridade. | A contribuição da mácula é pequena. Pode ser normal numa doença macular localizada. |
| Multifocal | Um padrão na tela permite analisar respostas de diferentes regiões centrais da retina. | Fixação instável e outros fatores técnicos podem prejudicar o mapa de respostas. |
| Padrão | Mudanças de contraste, como um tabuleiro, ajudam a avaliar funções da retina central. | Exige condições próprias de visão do padrão, correção óptica e qualidade do registro. |
Como o exame pode ser adaptado para crianças
Muitas crianças conseguem realizar o registro acordadas. O método considera a idade e a colaboração possível. Podem ser usados contatos e protocolos adaptados, com pausas e apoio dos responsáveis. A interpretação também precisa de referências apropriadas à idade.5
Sedação ou anestesia geral fica reservada a situações selecionadas, quando a avaliação indica necessidade. Exige equipe e ambiente adequados, orientações específicas e monitorização. Não é uma etapa de rotina de todo ERG infantil. Esses medicamentos podem influenciar o traçado e precisam ser informados no laudo.1
O que um resultado normal ou alterado permite concluir
O médico compara as respostas com referências adequadas ao exame realizado. O resultado depende tanto do funcionamento da retina quanto da qualidade do registro. Comparar um número do laudo com uma tabela da internet pode levar a uma interpretação errada.14
O que é conferido antes de comparar dois traçados
A análise considera o tamanho das ondas, o tempo das respostas, o tipo de eletrodo e a qualidade dos sinais. O traçado também depende de outras células dos circuitos da retina, além de bastonetes e cones.
Adaptação à iluminação, movimentos, piscadas e posição dos contatos podem interferir. Por isso, os traçados completos e as condições de realização ajudam na comparação.
Alguns métodos compensam o tamanho da pupila sem dilatação. Isso precisa estar registrado para que o exame seja comparado com referências adequadas.
No ERG de padrão, o registro também informa sobre células chamadas ganglionares, que participam dos circuitos da retina. Sua interpretação exige condições próprias de visão do padrão e correção do grau.
Um campo total normal não exclui uma alteração localizada da mácula. Já uma resposta reduzida pode exigir análise de diferentes causas e de interferências técnicas. O ERG também não mede sozinho todo o caminho da visão pelo nervo óptico até o cérebro. A comparação entre ERG, EOG e PEV mostra o foco de cada registro.1
Quando há suspeita hereditária, os achados podem orientar a escolha da investigação molecular. O guia de painel, exoma e genoma explica essa etapa. O ERG não substitui o teste genético, e um laudo molecular negativo ou inconclusivo precisa ser discutido junto do quadro clínico.

Depois do exame e na consulta de resultado
Se a pupila foi dilatada, a visão pode ficar embaçada e a luz incomodar por algum tempo. Não dirija enquanto esses efeitos persistirem. Siga as orientações do serviço para voltar às suas atividades e para lidar com desconfortos após a retirada dos contatos.2
Na consulta de retorno com o Dr. Daniel Omote, leve o laudo e os traçados completos. A consulta de genética ocular integra esses dados às imagens e à história familiar. Confirme o local de realização e o protocolo antes de agendar o exame. Os conteúdos de genética ocular ajudam a preparar suas dúvidas.
Fontes e referências
International Society for Clinical Electrophysiology of Vision (ISCEV): padrões de campo total, multifocal e padrão, técnicas, interpretação e adaptações pediátricas. Moorfields Eye Hospital: orientações de eletrofisiologia para adultos e crianças.
- Robson AG, Frishman LJ, Grigg J, et al. ISCEV Standard for full-field clinical electroretinography (2022 update). Doc Ophthalmol. 2022;144(3):165–177.
- Hoffmann MB, Bach M, Kondo M, et al. ISCEV standard for clinical multifocal electroretinography (mfERG) (2021 update). Doc Ophthalmol. 2021;142(1):5–16.
- Thompson DA, Bach M, McAnany JJ, Šuštar Habjan M, Viswanathan S, Robson AG. ISCEV standard for clinical pattern electroretinography (2024 update). Doc Ophthalmol. 2024;148(2):75–85.
- Moorfields Eye Hospital. Electrophysiology in adults. Informação para pacientes, revisão prevista para outubro de 2026.
- Moorfields Eye Hospital. Electrophysiology in children. Informação para pacientes e responsáveis, revisão prevista para outubro de 2026.
Entenda a indicação e o resultado do seu exame
Dúvidas comuns sobre este tema
Vou receber choques ou injeções durante o ERG?
O exame registra respostas produzidas pela retina ao receber luz. Os eletrodos captam esses sinais; não dão choques para estimular o olho. O registro não exige injeção no olho.
O eletrorretinograma dói?
Pode haver ardor breve dos colírios, lacrimejamento ou incômodo com o contato do eletrodo. O anestésico em colírio depende do sensor utilizado. Avise se houver dor ou desconforto importante, para a equipe avaliar.
Quanto tempo devo reservar?
Confirme com o serviço. A visita inclui preparo, adaptação à iluminação, posicionamento dos contatos e registros que podem precisar de repetição. Fazer outras modalidades no mesmo dia também pode ampliar o tempo.
Preciso dilatar a pupila em todo ERG?
Não em todo método. A dilatação é comum, mas certos equipamentos e protocolos compensam a pupila sem dilatar. A equipe deve informar o preparo e registrar a técnica para interpretar o exame corretamente.
Posso usar o celular enquanto espero no escuro?
Durante a adaptação ao escuro, siga as instruções da equipe e evite acender telas por conta própria. A luz pode interferir no preparo e exigir um ajuste na espera antes dos registros.
Preciso fazer jejum?
Não presuma jejum nem suspenda alimentação sem instrução. Confirme as orientações do serviço. Se houver sedação ou anestesia programada em situação selecionada, o preparo será específico e deve ser seguido exatamente.
Um ERG de campo total normal afasta Stargardt?
Não. Quando o comprometimento está localizado na mácula, a resposta global pode permanecer normal. Imagens e, conforme a pergunta, outras modalidades funcionais ajudam a completar a investigação.
Preciso ficar sem piscar durante o exame inteiro?
Não. A equipe orienta em quais momentos manter o olhar e quando piscar ou descansar. Piscadas e movimentos podem interferir nos registros, mas pausas e repetições fazem parte do cuidado com a qualidade do teste.
Escolha para onde seguir
Artigos, exames e tratamentos relacionados ao que você acabou de ler.
Retina e VítreoRetinose pigmentarComo sintomas, exames e genética se complementam.Continuar lendo
Retina e VítreoDoença de StargardtMácula, visão central e investigação molecular.Continuar lendo
Exames OftalmológicosPainel, exoma ou genomaO que considerar depois da avaliação clínica.Continuar lendo
Exames OftalmológicosERG, EOG e PEV: diferenças entre os exames de eletrofisiologia visualSaiba o que ERG, EOG e PEV avaliam, como os registros são feitos e por que resultados alterados precisam de interpretação clínica.Continuar lendo
Exames OftalmológicosOCT, eletrorretinograma e genética: por que os exames se complementamOCT mostra estrutura, ERG avalia respostas da retina e genética investiga causas. Entenda os limites e como interpretar resultados diferentes.Continuar lendo Exames, especialistas e tratamentos relacionados
Quer transformar esta leitura em atendimento?
Se este artigo ajudou na sua dúvida, a equipe pode orientar pelo WhatsApp qual exame, especialista ou consulta costuma ser o melhor próximo passo.

