Doença

Episclerite

A episclerite é uma inflamação benigna e autolimitada do tecido fino e vascularizado entre a conjuntiva e a esclera. Tipicamente causa vermelhidão setorial num quadrante do branco do olho, com desconforto leve e sem queda visual. A maioria dos episódios resolve sozinha em até 3 semanas, mesmo sem tratamento. Não confundir com esclerite, condição mais rara, profundamente dolorosa e potencialmente ameaçadora à visão — o diagnóstico diferencial é essencial.

Olho com episclerite — vermelhidão setorial superficial em um quadrante do branco do olho, sem secreção, característica do quadro autolimitado.
Sintomas

A episclerite costuma aparecer rapidamente, em poucas horas, num olho previamente saudável. O sintoma dominante é a vermelhidão localizada, com pouco impacto na visão e dor leve. Os principais achados são:

  • Hiperemia setorial superficial — uma área avermelhada em um quadrante do olho, frequentemente com tom rosa-salmão, em vez de vermelhidão difusa de toda a esclera. Os vasos dilatados ficam logo abaixo da conjuntiva e se movem com o leve toque de um cotonete (sinal clínico clássico).
  • Desconforto leve ou ‘sensação de areia’ — ardor discreto, irritação ou prurido localizado. Não há dor profunda, pulsátil ou que acorda à noite — esses sinais sugerem esclerite e exigem avaliação urgente.
  • Visão preservada — a acuidade visual não cai. Borramento importante, escotomas ou perda de campo afastam o diagnóstico de episclerite e apontam para esclerite, uveíte ou outra causa.
  • Fotofobia ausente ou mínima — episclerite pode ter leve sensibilidade à luz forte, mas fotofobia marcante (dor com luz ambiente comum) sugere uveíte anterior ou esclerite.
  • Sem secreção mucopurulenta — diferente de conjuntivite bacteriana (secreção amarelada, pálpebras coladas pela manhã) ou viral (secreção aquosa abundante, adenopatia pré-auricular, contato com caso). Episclerite cursa com lacrimejamento mínimo e olho seco em relação à conjuntivite.
  • Apresentação tipicamente unilateral — em geral acomete um olho de cada vez. Episódios bilaterais simultâneos ou recorrentes em alternância levantam suspeita de doença sistêmica associada.
Diagnóstico

O diagnóstico de episclerite é clínico, feito no exame com lâmpada de fenda. O oftalmologista observa vasos episclerais dilatados, mais superficiais que os esclerais profundos, distribuídos em padrão setorial ou difuso. O teste mais útil para diferenciar de esclerite é a instilação tópica de fenilefrina 2,5%: os vasos episclerais blanqueiam (clareiam) em poucos minutos, restaurando o branco do olho. Os vasos profundos da esclerite não blanqueiam — esse contraste é o sinal de bancada que sela o diagnóstico, descrito tanto no AAO EyeWiki quanto no BCSC volume 9 (Intraocular Inflammation and Uveitis).

A classificação morfológica é simples: episclerite simples (forma mais comum, ~80% dos casos, com hiperemia setorial difusa ou plana, sem nódulos) e episclerite nodular (cerca de 20%, com um nódulo elevado, móvel à pressão pela pálpebra, frequentemente mais dolorido e de resolução mais lenta — leva em média 4-6 semanas em vez de 1-3). Em ambos, o exame de fundo de olho é normal e não há sinais de comprometimento intraocular. Mayo Clinic e NEI/NIH descrevem o quadro como autolimitado em adultos jovens a de meia-idade, com leve predominância em mulheres.

A maioria dos episódios é idiopática e não requer investigação sistêmica. Indica-se rastreio de causa subjacente quando o quadro é recorrente, bilateral, nodular persistente ou associado a sintomas sistêmicos (artralgias, lombalgia inflamatória, lesões cutâneas, sintomas gastrointestinais). Nesses casos, conforme orientação do AAO EyeWiki e BCSC vol. 9, investiga-se: artrite reumatoide, espondiloartrites (incluindo espondilite anquilosante associada a HLA-B27), doença inflamatória intestinal (Crohn, retocolite ulcerativa), gota, lúpus, herpes simples ou zoster, sífilis e, mais raramente, vasculites como granulomatose com poliangeíte. A propedêutica inicial habitual inclui hemograma, VHS, PCR, fator reumatoide, anti-CCP, FAN, ácido úrico, HLA-B27 e sorologias direcionadas conforme a história clínica.

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Tratamento

A maioria dos casos de episclerite simples não requer tratamento medicamentoso. A conduta inicial inclui observação, compressas frias algumas vezes ao dia para alívio sintomático e lágrimas artificiais sem conservantes (preferencialmente em frascos monodose) para reduzir o desconforto e a sensação de areia. Tranquilizar o paciente é parte do tratamento: o AAO EyeWiki e a Mayo Clinic reforçam que o quadro é autolimitado, sem sequelas visuais, e que a vermelhidão tende a resolver em até três semanas.

Quando o desconforto é maior ou o paciente é muito sintomático, considera-se AINE tópico (e.g., cetorolaco 0,5% ou diclofenaco sódico 0,1%, 4x/dia por 1-2 semanas) ou, com mais evidência clínica em alguns trabalhos, AINE oral por curto período — ibuprofeno 400-600 mg 3x/dia ou naproxeno 500 mg 2x/dia, sempre com proteção gástrica e respeitando contraindicações (úlcera péptica ativa, insuficiência renal, doença cardiovascular grave, gestação no terceiro trimestre). AINE oral costuma ser mais efetivo nas formas nodulares e nos episódios mais arrastados.

Em casos persistentes apesar de AINE, indica-se um corticoide tópico fraco (e.g., fluorometolona 0,1% ou loteprednol 0,5%, 4x/dia com desmame progressivo) por período curto, sob acompanhamento oftalmológico. Corticoide tópico nesses casos é seguro quando bem indicado, mas exige cautela: o uso prolongado eleva risco de catarata subcapsular posterior, glaucoma cortisônico e reativação de ceratite herpética. Por isso, prescrição e desmame são responsabilidade do oftalmologista, com revisões para medir pressão intraocular. Evitar corticoide tópico em casos com histórico de herpes ocular ou quando o diagnóstico de episclerite não está totalmente confirmado.

Episódios recorrentes, bilaterais ou associados a sintomas sistêmicos justificam encaminhamento à reumatologia para investigação dirigida — especialmente quando há rigidez matinal, artralgias, sintomas urinários ou intestinais sugestivos. A parceria oftalmo-reumato segue o padrão recomendado pelo AAO PPP e pelo BCSC vol. 9, sobretudo quando há suspeita de espondiloartrite, AR ou DII. Na Ortolan Oftalmologia, a avaliação e o manejo da episclerite são conduzidos pela Dra. Nicole Bulgarão, especialista em córnea, transplante e doenças externas pela USP — com encaminhamento à reumatologia quando indicado e seguimento conjunto nos casos crônicos ou recorrentes.

Equipe médica

Quem cuida da episclerite na Ortolan

A episclerite é diagnosticada e tratada na Ortolan Oftalmologia pela Dra. Nicole Bulgarão, com encaminhamento à reumatologia quando há sinais sistêmicos ou quadro recorrente.

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Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre Episclerite

O que é episclerite?

É uma inflamação benigna e autolimitada da episclera — a camada fina e vascularizada entre a conjuntiva (membrana mais externa) e a esclera (parede branca do olho). Provoca vermelhidão setorial e desconforto leve, sem comprometer a visão, e tende a resolver sozinha em até três semanas.

Episclerite é grave?

Não. É a forma mais benigna entre as inflamações vermelhas do olho. Não causa perda de visão, não deixa sequelas e raramente exige tratamento mais que compressas frias e lubrificantes. O cuidado principal é confirmar que se trata de episclerite — e não de esclerite, condição diferente e bem mais séria — através do exame oftalmológico.

Qual a diferença entre episclerite e esclerite?

São doenças distintas, embora os nomes pareçam. A episclerite é superficial, com vermelhidão setorial e desconforto leve, e os vasos blanqueiam com colírio de fenilefrina 2,5% no consultório. A esclerite é profunda, com dor intensa que pode irradiar pra cabeça e acordar o paciente à noite, vermelhidão violácea, sensibilidade à palpação do globo e risco real de queda visual. A esclerite quase sempre se associa a doença sistêmica autoimune e exige tratamento agressivo. Toda dor profunda no olho com vermelhidão deve ser avaliada com urgência por oftalmologista.

Episclerite é a mesma coisa que conjuntivite?

Não. Conjuntivite acomete a conjuntiva (camada mais externa) e geralmente cursa com secreção (purulenta na bacteriana, aquosa na viral), coceira intensa na alérgica e vermelhidão difusa em todo o branco do olho. Episclerite costuma ser unilateral, com vermelhidão setorial mais localizada, sem secreção e sem sintomas de via aérea superior associados. O diagnóstico é definido no exame com lâmpada de fenda.

Episclerite pode voltar?

Pode. Cerca de um terço dos pacientes apresenta episódios recorrentes ao longo da vida — às vezes no mesmo olho, às vezes alternando. Recorrências não significam que a doença ficou mais grave, mas reforçam a indicação de investigar uma causa sistêmica subjacente (artrite reumatoide, espondiloartrite, doença inflamatória intestinal, gota, entre outras), especialmente se houver sintomas reumatológicos associados.

Preciso usar colírio com corticoide?

Na maioria dos casos, não. Episclerite simples melhora com observação, compressas frias e lágrimas artificiais. Corticoide tópico fraco é reservado a casos persistentes apesar de AINE e deve ser prescrito por oftalmologista, em curso curto e com revisões para checar pressão intraocular — uso prolongado por conta própria pode causar catarata, glaucoma e reativação de herpes ocular.

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