Quando o calázio persiste após 3 a 4 semanas de tratamento conservador, a próxima etapa é geralmente a injeção intralesional de triancinolona acetonida, um corticoide de depósito. O procedimento é feito em consultório, com anestesia local: uma pequena agulha é introduzida diretamente no nódulo e o corticoide é injetado para reduzir a reação granulomatosa.
Em uma revisão de escopo publicada em 2025 no Ophthalmic Plastic and Reconstructive Surgery (Park, Vyas, Dagi Glass; PMID 39656051), a injeção de corticoide foi o tratamento mais estudado em calázio, com 25 das 39 publicações analisadas. Um estudo randomizado prospectivo (Nabie et al., 2019, PMID 31528769; n=51) comparou a injeção de triancinolona com a incisão e curetagem em calázios crônicos: a resolução completa foi de 61,5% no grupo corticoide e 84% no grupo cirúrgico (diferença não atingiu significância estatística, P=0,072). O tempo médio até a resolução, porém, foi significativamente maior com o corticoide: 8,8 versus 5,1 dias (P=0,03). A taxa de recorrência foi 34,6% com corticoide contra 8% com cirurgia (P=0,04).
Na prática clínica: a injeção é uma opção válida para calázios de tamanho médio em quem quer evitar o procedimento cirúrgico, entendendo que a taxa de resolução é menor e a recorrência maior. Para calázios grandes ou recidivados, a cirurgia costuma ser a escolha mais definitiva. Contraindicações relativas da injeção incluem: lesão próxima ao ângulo interno do olho (risco de embolia vascular) e pele muito fina (risco de atrofia cutânea local).
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