Doença

Pterígio

O pterígio é um crescimento fibrovascular da conjuntiva sobre a córnea em forma de asa — condição muito comum no Brasil por causa da exposição crônica ao sol e à poeira. A maior parte dos casos é estável e acompanhada clinicamente; a cirurgia é indicada quando o pterígio irrita, invade o eixo visual ou induz astigmatismo importante. Na Ortolan, a avaliação e o tratamento são conduzidos pela equipe de córnea formada pela USP.

Pterígio nasal invadindo a córnea — fotografia clínica. Fonte: Jonathan Trobe, MD (University of Michigan Kellogg Eye Center), CC BY 3.0 via Wikimedia Commons.
Sintomas

Na fase inicial, muitos pacientes não têm sintomas — o pterígio aparece como uma "carne crescida" no canto do olho (quase sempre no lado nasal, perto do nariz).

Quando sintomático, os queixas mais comuns são: olho vermelho crônico, ardor, lacrimejamento, sensação de corpo estranho ao piscar, fotofobia, e astigmatismo irregular quando o pterígio se aproxima do eixo visual.

Em casos avançados, o pterígio pode invadir o eixo visual, causar visão embaçada e, em raros casos, levar a perda visual significativa.

Muitos pacientes percebem piora em períodos de mais exposição a sol, vento e poeira — ou em ambientes muito secos e com ar-condicionado.

Diagnóstico

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico: o exame na lâmpada de fenda (biomicroscopia) identifica e documenta o tamanho, o grau de invasão da córnea, o padrão de vascularização e eventuais sinais de irritação crônica.

Na Ortolan, toda avaliação inclui documentação fotográfica externa e, quando o pterígio está próximo da córnea central, topografia e tomografia de córnea para quantificar o astigmatismo induzido — informação-chave no planejamento cirúrgico.

Diagnóstico diferencial

O pterígio é confundido com outras lesões conjuntivais que exigem outro tratamento — e em alguns casos biópsia é necessária:

  • Pinguécula — depósito amarelado na conjuntiva que não cresce sobre a córnea; tratamento conservador.
  • OSSN (neoplasia escamosa da superfície ocular) e doença de Bowen — lesões de aspecto mais irregular, vascularização atípica, crescimento mais rápido. Em lesões suspeitas, a biópsia é mandatória.
  • Simbléfaro e outras cicatrizes conjuntivais pós-trauma ou queimadura química.

Pterígios com sinais atípicos (pigmentação, crescimento rápido, vascularização em "cabeça de medusa", recorrência após cirurgia) devem ser investigados antes da excisão.

Classificação e estadiamento

A classificação de Tan divide o pterígio em três graus conforme a translucência (facilidade de enxergar os vasos esclerais por baixo do tecido):

  • T1 (atrófico) — vasos esclerais bem visíveis; tendência a comportamento mais lento e menor recorrência pós-cirurgia.
  • T2 (intermediário) — vasos esclerais parcialmente visíveis.
  • T3 (carnoso) — vasos esclerais não visíveis; tecido denso, mais agressivo e com maior risco de recorrência.

Também se utilizam classificações por tamanho (grau I: até 2 mm de invasão corneana; grau II: 2–4 mm; grau III: >4 mm ou envolvimento do eixo visual).

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Tratamento

Tratamento conservador

Na maioria dos pacientes — especialmente os assintomáticos ou com pterígios pequenos e estáveis — o tratamento é clínico:

  • Lubrificação frequente com colírios sem conservantes para reduzir irritação crônica.
  • Colírios anti-inflamatórios (corticoide ou AINE) em surtos inflamatórios, por períodos curtos.
  • Proteção ultravioleta com óculos de sol com proteção UV-A/UV-B e chapéu: é a medida mais importante para frear o crescimento.
  • Evitar exposição a vento, poeira, ar seco e fumaça.

Tratamento cirúrgico

A cirurgia é indicada quando: os sintomas são intensos e refratários; o pterígio tem >3 mm de invasão corneana; há envolvimento do eixo visual; há astigmatismo induzido relevante; ou por motivo estético funcional (constrangimento social com olho permanentemente vermelho).

Na Ortolan Oftalmologia, utilizamos a técnica moderna padrão-ouro: excisão do pterígio + transplante conjuntival autólogo com cola biológica (fibrina). O pedaço de conjuntiva do próprio paciente é retirado da região superior do olho e fixado sobre a esclera exposta sem suturas, usando cola de fibrina — o que reduz desconforto pós-operatório, tempo de cirurgia e, sobretudo, o risco de recidiva.

A técnica antiga "esclera nua" (sem enxerto) tem taxas de recidiva de 30 a 50% e foi abandonada. Com autoenxerto conjuntival + cola biológica, a recidiva cai para aproximadamente 5 a 10% em mãos experientes.

Em casos selecionados de alto risco (pterígio recorrente, jovens, pterígios agressivos) podemos associar mitomicina C tópica durante o ato cirúrgico ou usar membrana amniótica como cobertura.

Mais detalhes sobre a técnica, recuperação e riscos em /cirurgia-de-pterigio. O planejamento pré-operatório completo está no Pacote Córnea e Pterígio.

Como prevenir a recidiva

O principal fator que o paciente controla após a cirurgia é a proteção UV: óculos de sol com proteção UV-A/UV-B de uso diário, chapéu de aba larga em atividades ao ar livre, evitar permanência prolongada em ambientes muito secos ou com poeira.

Jovens (<40 anos), pacientes em profissões ao ar livre e pacientes com pterígios agressivos têm maior risco de recidiva e precisam de acompanhamento próximo nos primeiros 12 meses pós-cirurgia.

Referências

  • American Academy of Ophthalmology — EyeWiki. Pterygium. eyewiki.aao.org/Pterygium.
  • Droutsas K, Sekundo W. Epidemiology of pterygium: a systematic review. *Graefes Arch Clin Exp Ophthalmol.* 2010;248(12):1621-1628.
  • Hirst LW. The treatment of pterygium. *Surv Ophthalmol.* 2003;48(2):145-180.
  • Koranyi G, Seregard S, Kopp ED. Cut and paste: a no suture, small incision approach to pterygium surgery. *Br J Ophthalmol.* 2004;88(7):911-914.
  • Tan DT, Chee SP, Dear KB, Lim AS. Effect of pterygium morphology on pterygium recurrence in a controlled trial comparing conjunctival autografting with bare sclera excision. *Arch Ophthalmol.* 1997;115(10):1235-1240.
  • Kaufman SC, Jacobs DS, Lee WB, et al. Options and adjuvants in surgery for pterygium: a report by the American Academy of Ophthalmology. *Ophthalmology.* 2013;120(1):201-208.
Fotos

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Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre pterígio

Pterígio pode virar câncer?

O pterígio em si não é câncer. Porém, algumas lesões com aspecto parecido — como a OSSN (neoplasia escamosa da superfície ocular) e a doença de Bowen — podem ser confundidas com pterígio. Por isso, lesões com sinais atípicos (pigmentação, crescimento rápido, vascularização irregular) devem ser avaliadas pelo especialista e, em casos selecionados, biopsiadas.

Posso evitar a cirurgia?

Sim, na maioria dos casos. Pterígios pequenos e estáveis podem ser acompanhados clinicamente com lubrificação, colírios anti-inflamatórios em surtos e proteção UV. A cirurgia só é indicada quando há sintomas incômodos, invasão do eixo visual, astigmatismo significativo ou queixa estética com impacto funcional.

Se eu operar, o pterígio volta?

Pode voltar. Com a técnica moderna (excisão + autoenxerto conjuntival com cola de fibrina), a taxa de recidiva é de cerca de 5 a 10%. Com a técnica antiga (esclera nua, sem enxerto), a recidiva chega a 30–50% e por isso foi abandonada. O principal fator modificável para evitar recidiva é a proteção UV rigorosa após a cirurgia.

Quanto tempo leva para cicatrizar?

A cicatrização superficial acontece em 2 a 4 semanas. A vermelhidão e o desconforto leve podem durar até 6 a 8 semanas. A visão geralmente se estabiliza após 4 a 8 semanas, quando a topografia da córnea se acomoda. O acompanhamento é feito em 1 dia, 1 semana, 1 mês, 3 meses, 6 meses e 12 meses.

Pterígio pode dar em criança?

Raro em crianças e adolescentes. Quando aparece em faixa etária jovem, tende a ser mais agressivo e recidivante — exige avaliação cuidadosa e proteção UV rigorosa.

Qual a diferença entre pterígio e pinguécula?

A pinguécula é um depósito amarelado na conjuntiva que NÃO cresce sobre a córnea — é apenas uma elevação localizada. O pterígio, por outro lado, invade a córnea em formato de asa e pode comprometer a visão. Pinguéculas raramente precisam de cirurgia; pterígios são operados quando os critérios clínicos estão presentes.

O pterígio afeta o grau dos óculos?

Pterígios maiores distorcem a curvatura da córnea e induzem astigmatismo irregular. Isso pode reduzir a acuidade visual com óculos e até impedir a adaptação de lentes de contato. Após a cirurgia, a córnea se estabiliza em 4-8 semanas e a refração pode ser refeita.

Plano de saúde cobre a cirurgia de pterígio?

A maioria dos planos cobre quando há indicação médica documentada (sintomas refratários, invasão do eixo visual, astigmatismo induzido). A cola biológica e a mitomicina C, quando indicadas, costumam exigir justificativa clínica. Orientamos o paciente no processo.

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