Aqui vem a parte que mais confunde paciente, e às vezes até colega: qual técnica dura mais? A resposta simples seria 'a mais moderna', mas os dados não deixam isso tão simples.
O mesmo estudo de Wilhelm et al. encontrou algo contraintuitivo: a sobrevida do enxerto em 10 anos foi maior na PK (92%) do que no DMEK (75%) e no DSAEK (73%). O transplante mais antigo e mais invasivo foi o que menos falhou no longo prazo, nessa série. Uma explicação provável: a perda de células endoteliais ao longo dos anos foi mais rápida no DMEK e no DSAEK do que na PK, e é justamente o número de células endoteliais que decide se o enxerto continua funcionando.
Só que Price et al. (Cornea, 2024), também numa série de dez anos, mediram especificamente o risco de falência entre 6 meses e 10 anos após a cirurgia, e encontraram o oposto: 5% de falência no DMEK, 11% no DSAEK e 19% na PK. Nessa série, foi a PK que mais falhou.
As duas conclusões vêm de séries diferentes, com populações e indicações diferentes, e não dá pra dizer que uma está certa e a outra errada. É por isso que a escolha entre as técnicas continua sendo individualizada, olhando o histórico do paciente, a doença de base e a experiência do cirurgião, não uma tabela única de 'a melhor técnica'.
Uma coisa os estudos combinam: o risco de rejeição é bem menor no DMEK. Anshu et al. (Ophthalmology, 2012) compararam diretamente as três técnicas: a rejeição acumulada em 1 ano foi de 1% no DMEK contra 8% no DSAEK e 14% na PK; em 2 anos, 1% contra 12% e 18%, um risco cerca de 15 vezes menor que o DSAEK. No estudo de Wilhelm et al., o padrão se repete em 10 anos: 10% de rejeição acumulada no DMEK, contra 19% no DSAEK e 13% na PK.