Pra quem quer os números completos por trás das recomendações deste artigo, aqui está o resumo dos estudos usados. O estudo de rejeição por técnica citado acima envolveu 141 olhos no DMEK, 598 no DSAEK e apenas 30 na PK: vale lembrar que o número da PK vem de uma amostra bem menor.1
Rejeição não é falência: olhando só pro risco de falência do enxerto, e não pra rejeição em si, o acumulado entre 6 meses e 10 anos foi de 5% no DMEK, 11% no DSAEK e 19% na PK. São curvas diferentes das de rejeição, e é por isso que os dois processos são acompanhados com critérios distintos.5
Tipos de rejeição: a classificação clássica divide a rejeição em epitelial (mais branda), estromal crônica, hiperaguda (rara e mais grave, geralmente em quem já teve transplante anterior) e endotelial, a mais comum e a que mais ameaça a transparência do enxerto, marcada pela linha de Khodadoust.4
Pra acompanhar a saúde do endotélio do enxerto ao longo dos anos, inclusive de olho na falência tardia, o exame de referência é a microscopia especular de córnea, que conta e mede as células endoteliais restantes.
Técnicas que preservam o endotélio do próprio paciente, como o DALK, eliminam por definição o risco de rejeição endotelial: não existe tecido doador nessa camada pra ser rejeitado.
Proteger o enxerto que você já tem também é proteger um recurso escasso: a fila de transplante de córnea no Brasil ainda é longa, e um retransplante nem sempre acontece rápido.
Importante: este artigo é educativo e não substitui a avaliação presencial do seu cirurgião. Suspeita de rejeição do transplante é uma urgência oftalmológica: o exame decide o diagnóstico, não a sensação de que não deve ser nada.