Artigo

Quais são os músculos do olho?

Cada olho tem seis músculos externos que trabalham em conjunto. Veja onde ficam, por que seus trajetos diferem e como os dois olhos se movem juntos.

Ilustração anatômica original da órbita direita aberta, com frente à direita e fundo à esquerda. Os retos lateral, superior e inferior se estendem do fundo da órbita até a esclera. Vistas complementares revelam os trajetos dos oblíquos e do reto medial.
Seis por olhoQuatro retos e dois oblíquos giram cada globo dentro da órbita.

Seis músculos externos movem cada olho: quatro retos e dois oblíquos. Eles ficam dentro da órbita, a cavidade óssea que abriga o globo, e se prendem à sua parede branca. Quando você muda a direção do olhar, os músculos dos dois olhos recebem comandos coordenados.

O olho gira dentro da órbita. Para olhar para um lado, ele não precisa se deslocar inteiro nessa direção. A combinação de contração e relaxamento dos músculos muda sua orientação, permitindo acompanhar uma pessoa ou voltar a atenção para outro ponto.

O guia das partes do olho e o atlas anatômico interativo ajudam a relacionar esses músculos com as estruturas ao redor.

Onde ficam os músculos do olho?

Eles ficam por fora do globo, protegidos dentro da órbita. Seus tendões se prendem à esclera, a parede resistente que aparece como o branco do olho. A maior parte dos trajetos fica escondida pelas pálpebras e pelos tecidos ao redor.

Os quatro retos partem da região posterior da órbita. A partir desse fundo, seguem em direção à frente e se prendem a lados diferentes da esclera. Os dois oblíquos têm caminhos próprios: um muda a direção do tendão em uma pequena polia; o outro começa mais à frente, perto do nariz.

Uma vista só esconde parte dessa anatomia. No atlas abaixo, mudar o ponto de observação permite acompanhar os trajetos que ficam por cima ou por baixo do globo. Paredes da órbita e estruturas específicas foram ocultadas no desenho para tornar essas relações visíveis.

Explore os trajetos e a coordenação do olhar

Escolha um músculo para ver onde ele passa. O atlas abre a vista que revela seu caminho. Depois, selecione Dois olhos juntos para observar exemplos de coordenação. Direita e esquerda são sempre as da pessoa ilustrada.

As posições são exemplos anatômicos, sem medida de força ou amplitude. A seleção de um trajeto não significa que só aquele músculo esteja ativo. O atlas não é um teste de estrabismo nem uma orientação para fazer exercícios.

Quais são os seis músculos?

Os nomes dos retos ajudam a localizar suas inserções. Medial é o lado do nariz; lateral, o lado da têmpora. Superior e inferior indicam as regiões de cima e de baixo:

  • Reto medial: gira o olho para dentro, em direção ao nariz.
  • Reto lateral: gira o olho para fora, em direção à têmpora.
  • Reto superior: participa de elevar o olho e também de sua rotação e do movimento para dentro.
  • Reto inferior: participa de baixar o olho e também de sua rotação e do movimento para dentro.

Os dois oblíquos acrescentam ações de rotação e movimento vertical. O oblíquo superior participa da rotação para dentro e contribui para baixar e mover o olho para fora. O oblíquo inferior participa da rotação para fora e contribui para elevar e mover o olho para fora.

Rotação e movimento para o lado são diferentes. Na rotação, o polo superior do olho se inclina em direção ao nariz ou à têmpora. A contribuição de cada músculo muda conforme a posição do olhar; as descrições acima não são setas únicas que valem para toda situação.

Por que os oblíquos têm um caminho diferente?

O oblíquo superior passa por uma polia chamada tróclea. Ele segue pelo alto e pelo lado nasal da órbita. Na tróclea, seu tendão muda de direção, volta para trás e para o lado temporal e passa por baixo do reto superior antes de se prender à esclera.

O oblíquo inferior começa na frente da órbita, junto ao nariz. Ele percorre o assoalho, passa por baixo do reto inferior e segue para trás e para o lado temporal do globo. Essa origem anterior distingue o oblíquo inferior dos quatro retos, que partem do fundo da órbita.

Duas vistas complementares do olho direito, com frente à direita. Na vista superior, o tendão do oblíquo superior muda de direção na tróclea nasal. Na vista inferior, o oblíquo inferior começa anteriormente no lado nasal e passa sob o reto inferior em direção à inserção posterior temporal.
Os oblíquos têm trajetos diferentes. A vista de cima e a de baixo trocam a posição do lado nasal na figura; as orientações estão indicadas em cada painel. Paredes e estruturas foram ocultadas para revelar os caminhos.

A posição do olhar muda a contribuição vertical. Quando o olho está voltado para fora, a participação dos retos superior e inferior nos movimentos de subir e descer fica mais evidente. Quando está voltado para dentro, essa participação dos oblíquos se destaca. Os demais músculos continuam envolvidos no controle da posição.

Como os dois olhos se movem juntos?

O mesmo movimento envolve músculos diferentes em cada olho. Ao olhar para a direita, o olho direito gira para o lado da têmpora, com participação do reto lateral direito. O esquerdo gira para o lado do nariz, com participação do reto medial esquerdo. Os dois se orientam para a direita da pessoa.

Pessoa vista de frente, com seu olho direito à esquerda da figura. Ao olhar para a direita da pessoa, à esquerda da tela, aparecem destacados o reto lateral direito e o reto medial esquerdo. Os globos permanecem dentro das órbitas enquanto sua orientação muda.
Um olho gira para fora e o outro, para dentro: os dois apontam para a mesma direção. O par destacado explica a coordenação horizontal, sem representar toda a atividade muscular.

O cérebro coordena a contração e o relaxamento dos músculos. Nervos levam os comandos até cada lado. Essa organização ajuda a manter o alinhamento dos olhos para que as informações captadas pelos dois possam ser usadas em conjunto.

Olhar para cima também exige uma combinação. Partindo do olhar em frente, reto superior e oblíquo inferior contribuem juntos para elevar cada olho. Para baixar, contribuem reto inferior e oblíquo superior. A combinação também equilibra suas ações de rotação.

Músculos do globo, da pálpebra e da íris

O músculo que levanta a pálpebra tem outra função. O elevador da pálpebra superior fica na órbita, mas não integra os seis que movem o globo. O orbicular participa do fechamento das pálpebras. Piscar e mudar a direção do olhar envolvem estruturas diferentes.

Dentro do olho há outros músculos. Os da íris mudam o tamanho da pupila, a abertura por onde a luz entra. O músculo ciliar participa do ajuste do foco pelo cristalino. Esses músculos internos não giram o globo para os lados.

Estrabismo e visão dupla: quando procurar avaliação

Estrabismo é o desalinhamento dos olhos. Sua causa pode envolver o controle nervoso, a visão e os próprios músculos. Não é possível atribuir todo desvio a um músculo fraco. O artigo sobre estrabismo explica as diferentes situações.

Na criança, o desalinhamento pode atrapalhar o desenvolvimento visual. O cérebro pode passar a usar menos a informação de um dos olhos, e pode haver ambliopia. Uma criança pode ter desvio sem conseguir explicar que vê diferente ou sem relatar visão dupla. Um desalinhamento percebido merece avaliação oftalmológica.

Visão dupla que começou de repente, ou visão dupla com dor no olho, exige avaliação urgente. Se vier com dor de cabeça intensa, alteração da pupila ou após trauma na cabeça, procure um pronto-socorro imediatamente. Não espere descobrir qual músculo estaria envolvido.

A visão dupla também pode ter causas fora dos músculos. Alterações do próprio olho podem produzir esse sintoma. O exame distingue as possibilidades e orienta o cuidado. O guia de diplopia, ou visão dupla, aprofunda essa avaliação.

Detalhes técnicos

Ações, rotação e nervos dos músculos extraoculares

Adução e abdução: adução é girar o olho em direção ao nariz; abdução é girá-lo em direção à têmpora. Os retos medial e lateral participam desses movimentos horizontais.

Intorção e extorção: na intorção, o polo superior do olho gira para o lado nasal; na extorção, gira para o lado temporal. Esse componente torsional é diferente de deslocar a pupila para dentro ou para fora.

Reto superior e inferior: o superior tem ações de elevação, intorção e adução; o inferior, de depressão, extorção e adução. A contribuição vertical se destaca com o olho em abdução.

Oblíquo superior e inferior: o superior tem ações de intorção, depressão e abdução; o inferior, de extorção, elevação e abdução. A contribuição vertical se destaca com o olho em adução. Essas descrições indicam componentes do movimento, sem prever a força de cada músculo em uma pessoa.

Inervação: o nervo oculomotor (III) leva comandos aos retos medial, superior e inferior e ao oblíquo inferior. O troclear (IV) inerva o oblíquo superior. O abducente (VI) inerva o reto lateral. Circuitos do sistema nervoso coordenam os dois olhos.

Inserções e planos: os retos partem de um anel tendíneo posterior. O tendão do oblíquo superior passa sob o reto superior após a tróclea. O oblíquo inferior nasce no assoalho anterior nasal e passa sob o reto inferior. As vistas do atlas ocultam paredes e estruturas indicadas para revelar esses planos; não representam uma exposição cirúrgica.

Fontes e referências

  • AAPOS: anatomia dos seis músculos, inserções na esclera, trajetos dos oblíquos, estrabismo e desenvolvimento visual.
  • AAO EyeWiki: origens, tendões, tróclea, relações entre os planos musculares e ações conforme a posição do olhar.
  • UTHealth, Neuroanatomy Online e Neuroscience Online: controle nervoso e coordenação horizontal e vertical dos dois olhos.
  • Moran Eye Center, University of Utah: relações espaciais, movimentos compostos e contribuição vertical conforme a posição do olho.
  • NHS: visão dupla súbita, dor e sinais associados que exigem atendimento urgente.
Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre este tema

Quantos músculos movem cada olho?

São seis: quatro retos, chamados medial, lateral, superior e inferior, e dois oblíquos, superior e inferior. Eles se prendem à esclera e trabalham em conjunto. O elevador da pálpebra não faz parte dessa contagem porque levanta a pálpebra, em vez de mover o globo.

Os músculos do olho ficam por dentro ou por fora?

Os seis músculos que mudam a direção do olhar ficam por fora do globo, dentro da órbita, e se prendem à esclera. Existem também músculos internos, como os da íris e o ciliar, que participam do tamanho da pupila e do foco, sem girar o globo para os lados.

O que é a tróclea do olho?

É uma pequena estrutura na parte superior e nasal da órbita que funciona como uma polia para o tendão do oblíquo superior. O tendão muda de direção ali, segue para trás e para o lado temporal e passa sob o reto superior antes de alcançar sua inserção na esclera.

Por que um olho gira para fora e o outro para dentro ao olhar para o lado?

Porque os dois precisam apontar para a mesma direção. Ao olhar para a direita da pessoa, o olho direito gira para a têmpora e o esquerdo gira para o nariz. Nesse movimento se destacam o reto lateral direito e o reto medial esquerdo, sob controle nervoso coordenado.

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