Blefaroplastia é segura na grande maioria dos casos, mas não é isenta de risco. Vale conhecer os números reais, não só ouvir que é super tranquila.
O olho seco é o efeito colateral mais comum, principalmente na superior. Um estudo de 2021 acompanhou pacientes antes e depois da cirurgia: em quem não tinha olho seco antes, os sintomas e as medidas do filme lacrimal pioraram no primeiro mês e voltaram perto do nível inicial por volta do sexto. Em quem já tinha olho seco, uma das medidas de estabilidade da lágrima ainda estava pior aos seis meses, um dos motivos pra tratar a superfície ocular antes de operar, não depois.2
Uma série de 892 casos operados por um único cirurgião, publicada em 2013, encontrou olho seco em 26,5% e quemose, o inchaço da conjuntiva, a membrana transparente que cobre a parte branca do olho, em 26,3% dos pacientes. O risco mudou bastante conforme o tipo de cirurgia: 12,9% na superior isolada, 21,4% na inferior isolada e 31,3% quando as duas foram feitas juntas.3
Esses números variam muito de série pra série. Uma revisão sistemática de blefaroplastia inferior, de 2025, reuniu 36 estudos e encontrou taxas de olho seco entre 0% e 25,6%, e de quemose entre 0% e 84,6%. A amplitude vem de duas coisas: a técnica usada e o critério que cada trabalho adotou pra definir e medir a complicação. Na prática, isso significa que o risco real depende mais de quem opera, de qual pálpebra e do seu olho antes da cirurgia do que de um número médio da literatura.4
Não dá pra cravar um número único: o que fica claro é que operar as duas pálpebras juntas, e a inferior isoladamente, tendem a carregar mais irritação ocular do que a superior isolada.
- Assimetria: um lado ficar levemente diferente do outro é possível mesmo com boa técnica, e pequenos ajustes posteriores às vezes são necessários.
- Retração de pálpebra inferior e ectrópio: a pálpebra inferior pode ficar puxada pra baixo, expondo mais a parte branca do olho, ou até virando a borda pra fora. A revisão de 2025 encontrou retração em 0% a 4,3% dos casos e ectrópio em 0% a 11,3%.
- Lagoftalmo: dificuldade de fechar o olho completamente, mais comum quando é removida pele demais na superior. Costuma ser passageiro, ligado ao inchaço inicial.
A notícia boa: nenhuma das duas revisões citadas relatou complicação grave com perda permanente de visão. Hemorragia atrás do olho existe na literatura de cirurgia palpebral em geral, mas é rara.