Doença

Triquíase

A triquíase é a condição em que cílios mal direcionados crescem virados pra dentro do olho, atritando a córnea e a conjuntiva. A margem da pálpebra mantém a posição normal — diferente do entrópio, em que toda a borda palpebral roda para dentro. Também não se confunde com distiquíase, que é o surgimento de uma fileira extra de cílios a partir dos orifícios das glândulas de Meibomius. O atrito persistente provoca dor, fotofobia e risco real de erosão e úlcera de córnea.

Closeup ocular mostrando triquíase — cílios desviados crescendo em direção à superfície da córnea, com hiperemia conjuntival.
Sintomas

Os sintomas da triquíase vêm do atrito constante de um ou mais cílios sobre a superfície ocular. Eles costumam ser unilaterais, piorar com piscar e melhorar parcialmente quando o cílio é removido — voltando, em geral, conforme o pelo cresce de novo. O quadro clássico inclui:

  • Sensação persistente de corpo estranho — como se houvesse um cisco no olho que não sai, mesmo depois de lavar e piscar várias vezes.
  • Lacrimejamento crônico (epífora reflexa) — o atrito estimula a glândula lacrimal e mantém o olho marejado ao longo do dia.
  • Fotofobia — desconforto importante com luz natural e artificial, secundário à irritação da córnea.
  • Hiperemia conjuntival — olho vermelho persistente, especialmente no setor onde os cílios desviados tocam a superfície.
  • Dor, ardor e piscar frequente — reflexo de proteção que tenta afastar o cílio, mas que costuma piorar o atrito.
  • Erosões epiteliais e úlcera de córnea — nos casos não tratados, o atrito repetido abre defeitos no epitélio, pode infectar e evoluir pra cicatriz, leucoma e perda visual permanente.
Diagnóstico

O diagnóstico de triquíase é essencialmente clínico, feito na biomicroscopia com lâmpada de fenda. O oftalmologista identifica quais cílios específicos estão mal direcionados, observa o ponto exato em que tocam a córnea ou a conjuntiva e avalia o estado da margem palpebral, do filme lacrimal e do epitélio corneano. A coloração com fluoresceína revela erosões puntatas ou áreas de desepitelização correspondentes ao trajeto dos cílios — sinal direto do atrito mecânico. É comum encontrar hiperemia setorial e, em casos antigos, neovascularização e cicatriz corneana.

A segunda etapa é pesquisar a causa. A forma idiopática ou senil aparece em pacientes mais velhos, com cílios isolados desviados sem doença palpebral evidente. As formas cicatriciais vêm de processos que retraem a conjuntiva tarsal e distorcem o folículo do cílio: tracoma (ainda relevante em populações vulneráveis), síndrome de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica, penfigoide cicatricial ocular, queimaduras químicas e térmicas, traumas palpebrais e pós-operatórios. Blefarite crônica e rosácea ocular também predispõem, ao alterar o ciclo folicular dos cílios.

O ponto-chave do diagnóstico diferencial é separar três quadros que parecem iguais à primeira vista. Na triquíase, a margem palpebral está normalmente posicionada e apenas alguns cílios crescem em direção errada. No entrópio, toda a borda da pálpebra está rodada para dentro, e por isso uma fileira inteira de cílios encosta no olho — o tratamento é cirúrgico, corrigindo a posição da margem. Na distiquíase, surge uma fileira acessória de cílios saindo dos orifícios das glândulas de Meibomius, em geral congênita ou pós-cicatricial. Diferenciar esses três quadros define a conduta — o que é descrito em detalhe na AAO EyeWiki (Trichiasis), no Moorfields, na Mayo Clinic e no BCSC Vol. 7 (Oculoplastics).

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Tratamento

O tratamento mais simples é a epilação mecânica com pinça, removendo manualmente o cílio desviado. Alivia rápido, mas é temporário: o cílio volta a crescer em 4 a 8 semanas e, em geral, na mesma direção errada. Funciona como ponte enquanto se planeja um tratamento definitivo ou em casos muito isolados, mas não deve ser a estratégia de longo prazo — a recidiva é a regra, e o atrito retorna a cada ciclo de crescimento.

Para casos focais, com poucos cílios mal direcionados, a eletrocoagulação cílio a cílio (eletrólise do bulbo piloso, com agulha fina sob anestesia local) destrói o folículo e impede o renascimento. É um procedimento ambulatorial, preciso, com bom resultado em pelos isolados — boas séries são descritas pela AAO PPP no painel de Blefarite e na literatura de oculoplástica. Alternativas dentro da mesma lógica incluem ablação a laser de argônio ou radiofrequência dirigida ao folículo.

Quando há muitos cílios envolvidos ou comprometimento de toda uma região da pálpebra, a crioterapia com sonda dupla congela e destrói os folículos em uma área maior. É eficaz, mas pode causar despigmentação da pele e perda definitiva dos cílios normais da região tratada — riscos que precisam ser discutidos. NEI/NIH e Moorfields trazem orientação detalhada sobre indicações e cuidados pós-operatórios.

Nos casos cicatriciais — tracoma avançado, Stevens-Johnson, penfigoide, queimaduras — a triquíase costuma vir junto com entrópio cicatricial e retração da conjuntiva tarsal. Aqui o tratamento é cirúrgico: rotação tarsal (procedimento de Trabut ou variantes, padrão-ouro descrito pela OMS para triquíase trachomatosa), fratura tarsal posterior, transplante de mucosa (oral ou amniótica) pra reconstruir a face posterior da pálpebra e técnicas criocirúrgicas combinadas. Na Ortolan Oftalmologia, a avaliação e o tratamento cirúrgico da triquíase são conduzidos pelo Dr. Gustavo de Paula, especialista em Plástica Ocular, Vias Lacrimais e Órbita pela USP.

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A triquíase é avaliada e tratada na Ortolan Oftalmologia pelo Dr. Gustavo de Paula, especialista em Plástica Ocular, Vias Lacrimais e Órbita pela USP.

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Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre Triquíase

O que é triquíase?

Triquíase é uma alteração em que cílios crescem virados para dentro do olho, mesmo com a margem da pálpebra na posição normal. Esses pelos desviados ficam atritando a córnea e a conjuntiva, causando dor, lacrimejamento e risco de úlcera de córnea se não for tratada.

Por que os cílios crescem virados pra dentro?

Pode ser idiopática (sem causa identificada, mais comum em pessoas mais velhas) ou cicatricial — sequela de tracoma, síndrome de Stevens-Johnson, penfigoide cicatricial, queimaduras químicas, traumas palpebrais ou cirurgias prévias. Blefarite crônica e rosácea ocular também alteram o ciclo do folículo e predispõem ao desvio dos cílios.

Posso só arrancar com pinça?

Funciona como alívio temporário, mas o cílio volta a crescer em 4 a 8 semanas, geralmente na mesma direção errada. Não é tratamento definitivo. Em casos isolados, serve como ponte enquanto se planeja eletrocoagulação, crioterapia ou cirurgia.

Triquíase é a mesma coisa que entrópio?

Não. Na triquíase, a margem da pálpebra está na posição correta e apenas alguns cílios isolados crescem em direção errada. No entrópio, toda a borda palpebral está rodada para dentro do olho, e por isso a fileira inteira de cílios encosta na córnea — o tratamento é cirúrgico, com reposicionamento da margem palpebral.

Tem como tratar a triquíase de forma definitiva?

Sim. Para cílios isolados, a eletrocoagulação do folículo (eletrólise) costuma resolver. Em áreas mais extensas, usa-se crioterapia. Nos casos cicatriciais, em que há retração da conjuntiva tarsal, o tratamento é cirúrgico — rotação tarsal, transplante de mucosa e técnicas associadas. Na Ortolan, o procedimento é feito pelo Dr. Gustavo de Paula.

Triquíase pode causar perda de visão?

Sim, se não for tratada. O atrito constante dos cílios abre erosões no epitélio da córnea, que podem infectar e evoluir para úlcera. Depois de cicatrizadas, essas úlceras deixam leucoma (mancha branca) na córnea, com perda de transparência e queda permanente da visão. Por isso a recomendação é tratar assim que diagnosticado.

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