"Vou fazer um laser YAG." Essa frase, sozinha, não diz quase nada. O mesmo aparelho trata dois problemas que não têm relação um com o outro, em partes diferentes do olho, indicados por especialistas diferentes, por motivos diferentes.
Este guia organiza o assunto: o que o laser YAG faz, quais são os dois procedimentos, e onde encontrar a resposta específica para a sua dúvida.
Mesma máquina, mesma sala, mesma lente de contato no exame. Alvos e objetivos completamente diferentes.
Em linguagem simples, o laser YAG funciona como uma lupa extremamente precisa: o aparelho faz vários raios de luz se encontrarem em um ponto minúsculo dentro do olho. Só nesse ponto surge força suficiente para criar uma abertura. A luz atravessa as estruturas transparentes antes dele sem cortá-las, e não há incisão por fora do olho.
Gosto de física: quero ver a versão completa
YAG é o nome do cristal que gera a luz: uma granada sintética de ítrio e alumínio, dopada com neodímio. Por isso a sigla completa é Nd:YAG.
O cristal emite luz infravermelha de 1064 nanômetros, invisível ao olho humano. Cada pulso dura apenas bilionésimos de segundo. Enquanto os raios ainda estão separados, eles atravessam as estruturas transparentes do olho sem produzir efeito.
As lentes do aparelho fazem esses raios convergirem para um ponto microscópico. Ali, a energia fica concentrada o bastante para retirar elétrons de algumas moléculas. Durante uma fração de segundo, forma-se um microplasma, uma quantidade minúscula de matéria eletricamente carregada.
O microplasma se expande e cria uma pequena onda de choque e uma microbolha. Esses efeitos mecânicos separam o tecido exatamente no ponto escolhido. Não é uma queimadura: o nome técnico desse processo é fotodisrupção.
Na capsulotomia, essa força abre a cápsula posterior atrás da lente artificial. Na iridotomia, abre a periferia da íris. A física é a mesma; o alvo e o objetivo são diferentes.
A luz atravessa o olho sem efeito até os raios se encontrarem. A ação acontece apenas no foco.
Se a física te interessa, o artigo como funciona o laser Nd: YAG no olho percorre a sequência completa e compara com os outros lasers da oftalmologia.
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Capsulotomia: quando a visão embaça depois da catarata
O problema. Meses ou anos depois da cirurgia de catarata, a visão pode voltar a embaçar. A catarata não voltou: o cristalino foi removido e não se regenera. O que ficou turva foi a membrana fininha que segura a lente artificial no lugar, a cápsula posterior.
O que o laser faz. Abre uma janela circular no centro dessa membrana, e a luz volta a chegar limpa até a retina.
Quem costuma indicar. Especialista em catarata e segmento anterior.
Depois do procedimento. A lente artificial continua a mesma; o que mudou é a janela aberta no centro da membrana atrás dela. Ilustração esquemática, não é imagem de exame.
Os sintomas típicos são embaçamento que se instala devagar, ofuscamento com faróis, perda de contraste e, às vezes, imagem dupla em um olho só. Quem tem lente intraocular premium costuma notar mais cedo.
O problema. O olho produz líquido o tempo todo e precisa drená-lo por um ralo que fica no canto entre a córnea e a íris, o ângulo. Em alguns olhos, a íris fica perto demais desse ralo. Se encostar, a saída fecha e a pressão pode subir rápido.
O que o laser faz. Abre um orifício de menos de meio milímetro na periferia da íris, criando um atalho para o líquido. A pressão dos dois lados da íris se equaliza, ela relaxa para trás e o ângulo volta a ficar acessível.
Um furo de menos de meio milímetro cria o atalho que tira a pressão de trás da íris.
Aqui a indicação é mais delicada do que na capsulotomia, porque muitas pessoas com ângulo estreito nunca terão problema nenhum. A decisão pesa anatomia, idade, história familiar e acesso a atendimento de urgência.
A cápsula que segura a lente artificial ficou opaca depois da cirurgia de catarata.
A íris bloqueia a passagem do líquido e o ângulo de drenagem se fecha ou ameaça fechar.
Sintoma que leva ao diagnóstico
Visão que embaça devagar, ofuscamento, perda de contraste.
Frequentemente nenhum. Quando há crise, dor forte, náusea e halos.
Onde o laser mira
Na cápsula posterior, atrás da lente intraocular, no centro.
Na periferia da íris, fora do eixo da visão.
O que a abertura resolve
Devolve a passagem de luz até a retina.
Cria um caminho alternativo para o humor aquoso.
Exame que decide
Exame com pupila dilatada, mais mapeamento de retina antes do laser.
Gonioscopia, com apoio de OCT de segmento anterior.
Preparo
Colírio que dilata a pupila.
Pilocarpina, que contrai a pupila.
Costuma repetir?
Raramente. A janela costuma permanecer aberta.
Raramente. Se o orifício fechar, o retratamento é simples.
Objetivo final
Recuperar qualidade de visão.
Prevenir perda de visão.
A diferença de objetivo é a mais importante: uma devolve visão que já foi perdida, a outra protege visão que ainda está preservada.
Repare no contraste de preparo. Um procedimento dilata a pupila, o outro contrai. É um bom lembrete de que semelhança de equipamento não significa semelhança de procedimento.
O que os dois procedimentos têm em comum
São ambulatoriais. Você chega, faz e vai embora no mesmo dia. Não há internação nem centro cirúrgico.
Não têm cortes. Toda a ação acontece por luz focada, sem incisão e sem pontos.
A anestesia é um colírio. Sem agulha, sem sedação venosa, sem jejum.
Duram poucos minutos por olho, embora a visita completa leve mais tempo por causa do preparo e da checagem depois.
Usam uma lente de contato de exame apoiada no olho com gel, que estabiliza o globo e concentra o feixe.
Provocam estalos e flashes, que são as ondas de choque e a luz de mira. Não costumam doer.
Exigem medida de pressão intraocular depois, porque o pico transitório é a complicação mais comum dos dois.
Usam colírio anti-inflamatório por alguns dias no pós.
E os dois compartilham uma regra que vale repetir: sintoma que piora depois de uma fase de melhora sempre merece contato com a clínica, em vez de esperar o retorno agendado.
O que não é feito com laser YAG
A confusão mais comum no consultório é achar que "laser no olho" é uma coisa só. Não é. O que não se faz com o Nd:YAG:
Corrigir grau. Miopia, astigmatismo e hipermetropia são tratados com o laser excimer, em cirurgia refrativa, por um mecanismo físico diferente.
Tratar doenças da retina.Retinopatia diabética e roturas retinianas usam lasers de fotocoagulação, que aquecem o tecido de propósito.
Remover a catarata. A catarata é removida por cirurgia, com facoemulsificação.
Baixar a pressão no glaucoma de ângulo aberto. Esse é o território do SLT, que usa a mesma família de cristal com a frequência dobrada, em luz verde, e atua sobre o trabeculado.
Tratar moscas volantes de rotina. A vitreólise com YAG existe, mas é procedimento de indicação restrita e não é a conduta padrão para moscas volantes comuns.
Encontre a resposta para a sua dúvida
Cada pergunta tem uma página que responde ela a fundo.
Como a avaliação funciona na Ortolan
A Ortolan Oftalmologia fica em Pinheiros, São Paulo, e a equipe reúne especialistas em catarata e segmento anterior e em glaucoma, que são justamente as duas frentes deste guia.
O que a avaliação envolve, em qualquer um dos dois casos:
Confirmar que o alvo do laser é mesmo a causa da sua queixa. Grau residual, olho seco, doenças da mácula e glaucoma produzem sintomas parecidos com os da opacidade da cápsula.
Examinar a retina antes, principalmente quando existe miopia alta, diabetes ou histórico de rotura. É o exame que mais muda a conduta.
Avaliar o ângulo, quando a discussão é iridotomia, com gonioscopia e imagem do segmento anterior.
Sobre custo: o valor depende do que o exame encontrar, de ser um olho ou os dois, e da indicação específica. Por isso o orçamento é fechado depois da consulta, e não por telefone. Pelo WhatsApp a equipe consegue dar uma prévia de faixa e explicar como funciona o reembolso, já que a clínica emite nota fiscal detalhada e relatórios para as seguradoras.
Endereço, mapa e como chegar estão na página de localização. O agendamento pode ser feito pelo WhatsApp abaixo.
Fontes e referências
Fontes institucionais consultadas: AAO EyeWiki, AAO Preferred Practice Pattern sobre catarata no adulto e sobre doença de ângulo fechado primário, NEI e Conselho Brasileiro de Oftalmologia.
Não. Usam o mesmo laser Nd:YAG, mas tratam problemas diferentes. A capsulotomia abre uma janela na membrana atrás da lente artificial, quando a visão embaça depois da cirurgia de catarata. A iridotomia abre um orifício na periferia da íris, para desbloquear o ângulo de drenagem do olho.
O laser YAG dói?
Não costuma doer. A anestesia é um colírio, não há cortes nem agulhas. Você ouve pequenos estalos, que são as ondas de choque de cada disparo, e pode ver flashes de luz. O desconforto mais citado é a luz intensa do microscópio.
Preciso de jejum ou de suspender medicações?
Não. Não há anestesia sedativa venosa, então alimentação e medicações de rotina seguem normais, incluindo remédios para pressão arterial e diabetes. Aspirina e anticoagulantes também não são suspensos para esses lasers.
Posso dirigir depois?
Não no mesmo dia, em nenhum dos dois. Na capsulotomia a pupila fica dilatada e a luz ofusca; na iridotomia a pilocarpina deixa a pupila muito pequena e a visão em ambientes escuros piora. Combine carona ou transporte.
O laser YAG corrige grau?
Não. Grau é corrigido com o laser excimer, na cirurgia refrativa, por um mecanismo físico completamente diferente. O Nd:YAG rompe tecido intraocular por fotodisrupção e não altera a curvatura da córnea.
Quanto custa o procedimento?
Depende do que o exame encontrar, de ser um olho ou os dois e da indicação específica, então o orçamento é fechado após a consulta. Pelo WhatsApp a equipe dá uma prévia de faixa e explica o processo de reembolso, já que a clínica emite nota fiscal detalhada e relatórios para as seguradoras.
Onde a Ortolan fica?
Em Pinheiros, São Paulo, na Rua Cláudio Soares, 72, Edifício Ahead, conjuntos 103 e 104. Endereço completo, mapa e orientações de acesso estão na página de localização.
Doutor em Oftalmologia pela USP, especialista em Cirurgia Refrativa, Catarata, Córnea, Ceratocone, Superfície Ocular (olho seco e disfunção das glândulas de meibômio) e Lentes de Contato. Fundador da Ortolan Oftalmologia.
Áreas de atuação
Cirurgia Refrativa (LASIK, FEMTOLASIK, PRK, PRK no Touch, Streamlight)
Cirurgia de Catarata e Lentes Premium (trifocais, EDOF, tóricas)