
No artigo anterior dessa série eu expliquei como o laser excimer corrige seu grau quebrando ligações químicas do colágeno sem aquecer o olho. Mas o LASIK moderno tem dois lasers diferentes trabalhando em sequência: o segundo, o laser de femtossegundo, é o que cria o flap fino de córnea que precisa ser levantado antes da ablação refrativa. Esse laser funciona por uma física completamente diferente do excimer, e a história dele é tão curiosa quanto.
Quando um paciente me pergunta como o flap é feito hoje, a explicação mais honesta é meio surreal: a gente foca um pulso de luz tão curto e tão intenso dentro da própria córnea que os átomos no ponto de foco viram plasma, o mesmo estado da matéria que existe dentro do sol ou num raio. Esse plasma microscópico só dura uma fração de segundo, mas o que ele deixa pra trás é uma microbolha. E quando o laser faz milhares dessas microbolhas em fila, elas se conectam num plano de corte limpo dentro do tecido. Nada de lâmina, nada de bisturi, nada de contato mecânico com o olho.









