O meio ativo é uma granada de ítrio e alumínio (Y₃Al₅O₁₂) dopada com íons de neodímio (Nd³⁺), com emissão principal em 1064 nm, no infravermelho próximo. Em modo Q-switched, a cavidade acumula inversão de população e libera pulsos de poucos nanossegundos, cujas potências de pico atingem a ordem de megawatts com energias por pulso na faixa de milijoules.
A ruptura óptica ocorre quando a irradiância no foco excede o limiar de ionização do meio, gerando plasma por ionização multifotônica seguida de avalanche de elétrons. A expansão do plasma produz onda de choque e bolha de cavitação, cujo colapso completa o efeito disruptivo. Como o mecanismo é mecânico e não depende de absorção linear, ele funciona em meios transparentes e é muito menos sensível à pigmentação do alvo do que os mecanismos térmicos, embora a energia necessária ainda varie com a espessura e a densidade do tecido.3
Na capsulotomia, o plano de foco é deliberadamente deslocado para trás da cápsula, e não posicionado sobre ela, o que afasta o ponto de ruptura da lente intraocular e reduz o risco de pitting. Os deslocamentos descritos na literatura ficam na faixa de 100 a 200 micrômetros, com técnicas padronizadas em torno de 150 micrômetros. Lentes de contato de Abraham (+66 D) e de Wise (+103 D) aumentam o ângulo de convergência, reduzindo o diâmetro do foco e, portanto, a energia necessária por disparo.4
O tamanho da abertura tem consequências mensuráveis: capsulotomias maiores associaram-se a maior desvio hipermetrópico e a maior elevação da pressão intraocular na primeira semana, sem diferença no aumento da espessura macular em relação às menores.5