O que é o Glaucoma? Como diagnosticar e tratar o Glaucoma?
Guia completo sobre glaucoma: o que é, tipos, sintomas, exames de diagnóstico (OCT, campo visual, tonometria) e opções de tratamento (colírios, SLT, trabeculectomia, implante de tubo).

O glaucoma é uma doença ocular silenciosa que pode levar à perda irreversível da visão se não for tratada a tempo. Este artigo ajuda você a entender melhor o glaucoma, seus tipos, causas e tratamentos disponíveis.
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O que é o glaucoma
O glaucoma é uma doença que danifica o nervo óptico do olho, geralmente devido ao aumento da pressão ocular. A pressão elevada ocorre quando o líquido que flui naturalmente dentro do olho não é drenado adequadamente. Com o tempo, essa pressão pode danificar o nervo óptico, levando à perda de visão ou até à cegueira. Para entender o mecanismo passo a passo — desde a produção do humor aquoso até a lesão das fibras do nervo óptico — veja também o artigo Como acontece o glaucoma.

Tipos de glaucoma
Existem quatro tipos principais de glaucoma:
- Glaucoma de ângulo aberto (crônico): o tipo mais comum. A pressão ocular sobe lentamente ao longo do tempo e causa dano permanente no nervo óptico, com perda gradual do campo visual.
- Glaucoma de ângulo fechado (agudo): a saída do humor aquoso é subitamente bloqueada, gerando aumento rápido e doloroso da pressão intraocular. É uma emergência oftalmológica.
- Glaucoma congênito: presente ao nascer, geralmente hereditário.
- Glaucoma secundário: causado por uma condição subjacente — diabetes, uveítes, catarata avançada, uso prolongado de corticoides, entre outras.

No glaucoma de ângulo fechado e no fechamento angular agudo há alteração do fluxo de humor aquoso (líquido da parte da frente do olho).
Como diagnosticar o glaucoma
O diagnóstico envolve uma série de exames complementares. Os principais são:
- OCT (Tomografia de Coerência Óptica): exame de imagem moderno e não invasivo que avalia de forma quantitativa o disco óptico, a camada de fibras nervosas e a região macular — onde aparecem os primeiros indícios do glaucoma.
- Campo visual (perimetria): identifica perdas do campo de visão provocadas pelo glaucoma, especialmente na visão lateral.
- Medida da pressão intraocular (tonometria): avalia a pressão dentro do olho, que costuma ser superior a 21 mmHg em casos de glaucoma.
- Retinografia: fotografia do fundo do olho que registra as características do nervo óptico e da mácula pra acompanhamento ao longo do tempo.
- Paquimetria: mede a espessura da córnea e refina o resultado da tonometria, permitindo uma medida de pressão mais confiável.

Tem casos de glaucoma na família?
Como tratar o glaucoma
O tratamento do glaucoma é inicialmente clínico, com colírios que reduzem a pressão intraocular. Os principais utilizados hoje são:
- Análogos de prostaglandinas (bimatoprosta, travoprosta, latanoprosta): maior potencial de redução da pressão intraocular. Custo elevado.
- Timolol: beta-bloqueador clássico, geralmente em associação com outra medicação pra ser mais eficaz. Custo baixo.
- Brimonidina: redução rápida da pressão e características neuroprotetoras. Custo baixo.
- Dorzolamida e brinzolamida (inibidores da anidrase carbônica): muito utilizadas em combinação com timolol. Custo baixo.
O médico oftalmologista pode combinar colírios pra atingir a pressão intraocular alvo do paciente. Em casos emergenciais, existem medicamentos por via oral que ajudam a reduzir a pressão rapidamente.
O glaucoma crônico — tipo mais comum da doença — exige uso constante de colírios pela vida inteira, porque não tem cura. Em alguns tipos específicos, como o glaucoma de ângulo fechado, também é essencial restabelecer o fluxo natural do humor aquoso por meio de procedimento.

Procedimentos e cirurgias para glaucoma
- SLT (Trabeculoplastia Seletiva a Laser): procedimento a laser usado pra tratar o glaucoma de ângulo aberto, a forma mais comum. Não invasivo, ambulatorial, pode ser repetido. Aprofunde no artigo dedicado ao SLT.
- Trabeculectomia: cirurgia clássica em que se cria uma fístula pra drenar o humor aquoso e reduzir a pressão intraocular.
- Implante de tubo de drenagem: tubo posicionado na câmara anterior do olho, conectado a um prato distal sob a conjuntiva. Indicado em casos refratários ou de alto risco. Saiba mais no artigo sobre implante de tubo de drenagem no glaucoma.

Conclusão
O glaucoma é uma doença ocular séria que pode levar à perda de visão se não for tratada. A prevenção começa com exames oftalmológicos regulares pra detectar a doença em estágios iniciais. Quem já tem glaucoma diagnosticado pode controlar bem a doença e preservar a visão com o tratamento correto e acompanhamento próximo com um oftalmologista especialista em glaucoma.
Fontes e referências
- American Academy of Ophthalmology. Understanding glaucoma: symptoms, causes, diagnosis, treatment. n.d.
- AAO EyeWiki. Primary open-angle glaucoma. n.d.
- National Eye Institute. Glaucoma. n.d.
- Mayo Clinic. Glaucoma: symptoms and causes. n.d.
- Cleveland Clinic. Glaucoma: types, symptoms, diagnosis and treatment. n.d.
- Gedde SJ, Vinod K, Wright MM, et al. Primary open-angle glaucoma preferred practice pattern. Ophthalmology. 2021;128(1):P71-P150.
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Dúvidas comuns sobre este tema
O glaucoma tem cura?
Não. O glaucoma crônico (forma mais comum) não tem cura, mas tem tratamento eficaz. O objetivo é reduzir a pressão intraocular pra impedir que o nervo óptico continue sendo lesado e a visão piore. Com tratamento regular e acompanhamento, a maioria dos pacientes preserva a visão pelo resto da vida.
Quais os sintomas iniciais do glaucoma?
Na forma mais comum (ângulo aberto), o glaucoma é silencioso — não dá sintomas até estágios avançados, quando a perda do campo visual periférico já é significativa. Por isso o exame oftalmológico de rotina é fundamental, principalmente após os 40 anos ou em quem tem casos na família.
Quem tem mais risco de desenvolver glaucoma?
Os principais fatores de risco são: idade acima de 40 anos, histórico familiar de glaucoma, descendência africana ou asiática, pressão intraocular elevada, miopia alta, diabetes, uso prolongado de corticoides e traumas oculares prévios.
Posso parar de usar os colírios se a pressão estiver normal?
Não, em hipótese alguma. A pressão está normal porque o colírio está funcionando — interromper sem orientação faz a pressão subir de novo e causa nova lesão no nervo óptico, que é irreversível. Qualquer mudança no tratamento deve ser feita pelo seu oftalmologista.
A cirurgia de glaucoma cura a doença?
Não cura, mas pode controlar a pressão intraocular sem necessidade de colírios em alguns casos. A cirurgia (trabeculectomia, implante de tubo) é indicada quando os colírios não conseguem reduzir a pressão pro alvo desejado, ou quando a doença progride apesar do tratamento clínico.
Este artigo substitui uma consulta com oftalmologista?
Não. O conteúdo é educativo e não substitui a avaliação presencial. O diagnóstico e o tratamento dependem do exame clínico individualizado.
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