Alguns medicamentos usados por anos pra tratar doenças sistêmicas podem danificar silenciosamente a retina. Todo paciente que usa essas drogas precisa avisar o oftalmologista pra que o rastreamento seja feito no intervalo correto.
Hidroxicloroquina (usada em lúpus, artrite reumatoide e outras doenças autoimunes): pode causar toxicidade macular que, em estágios iniciais, é assintomática e reversível com a suspensão da droga. Em estágios avançados, a perda visual pode progredir mesmo após a suspensão. As diretrizes recomendam avaliação oftalmológica basal ao iniciar o medicamento e, a partir do 5.º ano de uso (ou mais cedo em pacientes com fatores de risco como doença renal, dose alta relativa ao peso ou uso concomitante de tamoxifeno), rastreamento anual com OCT de mácula e campo visual.1
Etambutol (usado no tratamento da tuberculose): pode causar neuropatia óptica dose-dependente, com perda de visão de cores e acuidade. O efeito costuma ser reversível se o medicamento for suspenso precocemente. Pacientes em tratamento de tuberculose devem ter acompanhamento oftalmológico durante o uso.
Tamoxifeno (usado em câncer de mama e prevenção): em doses altas e uso prolongado, pode causar maculopatia cristalina, uma condição rara. O rastreamento é recomendado em quem usa doses acima de 20 mg/dia por anos.
A mensagem é simples: ao iniciar qualquer uma dessas medicações, avise o oftalmologista e agende avaliação basal. Não espere ter sintoma.