A ICL é estável a longo prazo. Estudos internacionais mostram resultados consistentes por mais de 10 anos. Mas, diferente das cirurgias corneanas, a ICL exige acompanhamento periódico porque há estruturas intra-oculares a monitorar.
Nos primeiros dois anos, o retorno é semestral. Depois, anual. As variáveis de atenção são:
- Pressão intraocular (PIO): aumentos crônicos são raros com a ICL moderna, mas precisam ser detectados cedo.
- Vault: o cristalino natural cresce ao longo dos anos (é um ser vivo, não uma lente artificial). Isso faz o vault diminuir lentamente com o tempo. Em idades mais avançadas, pode ser necessário avaliar a troca da ICL por um tamanho maior ou, caso o cristalino desenvolva catarata, substituir toda a óptica pela cirurgia de catarata.
- Endotélio corneano: a contagem de células endoteliais é monitorada porque o endotélio fica próximo à ICL. A perda de células costuma ser mínima com a técnica atual, mas é documentada anualmente pra garantir que segue em níveis seguros.
- Posição e centralização da lente: raramente se altera, mas é verificada no retorno.
Quando intervir? Vault muito baixo abaixo de 150 µm com contato com o cristalino, vault muito alto acima de 1.000 µm com risco de bloqueio angular ou perda endotelial acelerada são indicações de avaliação para trocar o tamanho da ICL ou, em casos extremos, explantar. Isso é incomum quando o planejamento foi bem feito.
Pacientes com miopia alta também continuam com mapeamento de retina periódico após a ICL, porque o risco basal de degenerações periféricas e descolamento de retina é maior em olhos míopes, independente da cirurgia refrativa.