Doença

Neurite Óptica

A neurite óptica é a inflamação do nervo óptico — a estrutura que leva a informação visual do olho ao cérebro. A apresentação clássica é perda visual aguda unilateral acompanhada de dor à movimentação do olho, frequentemente em mulheres jovens. É um dos primeiros sinais possíveis de esclerose múltipla (EM), da neuromielite óptica (NMOSD) e da doença associada a anticorpos anti-MOG (MOGAD) — mas também pode ter causa infecciosa, autoimune ou idiopática. O diagnóstico é clínico-radiológico, a investigação é estruturada em poucos dias e o tratamento do quadro agudo é hospitalar, com pulsoterapia endovenosa e coordenação entre neuroftalmologia e neurologia. Esta página foi elaborada sob a orientação clínica do Dr. Samir Cavero Crespo (Neuroftalmologia — USP), que realiza avaliação e acompanhamento de neurite óptica em consultório e em visitas hospitalares nos casos graves, agudos ou com indicação de internação.

Retinografia do fundo do olho mostrando o disco óptico — estrutura afetada na neurite óptica (inflamação do nervo óptico).
Sintomas

O que é a neurite óptica

O nervo óptico é composto por cerca de 1,2 milhão de axônios que saem da retina e levam o sinal visual ao cérebro. Quando esses axônios inflamam — por causa autoimune, infecciosa ou idiopática — a condução elétrica é comprometida e o paciente experimenta perda visual aguda. A inflamação pode ser:

  • Desmielinizante típica — associada à esclerose múltipla (a forma mais comum em jovens adultos)
  • Atípica — quadros associados a NMOSD (anti-AQP4), MOGAD (anti-MOG), sarcoidose, sífilis, tuberculose, doença de Lyme, bartonelose, lúpus, pós-vacinal, paraneoplásica

Sintomas clássicos

  • Perda visual aguda ou subaguda — instala-se em horas a dias, raramente em minutos. Pode ir de embaçamento leve a amaurose completa. Costuma piorar nos primeiros 7-10 dias antes de começar a melhorar.
  • Dor aos movimentos oculares — presente em cerca de 90% dos casos típicos. Aparece antes, junto ou logo após a perda visual. Frequentemente referida como dor retro-orbital, periocular ou na testa.
  • Dessaturação de cores (discromatopsia) — o paciente nota que as cores ficam 'lavadas' ou 'apagadas', especialmente o vermelho. Teste simples em casa: comparar o brilho de um objeto vermelho nos dois olhos — se há diferença clara, o sinal é forte.
  • Escotoma central ou centrocecal — mancha escura no centro da visão ou entre o centro e o ponto cego, percebida como dificuldade para ler, reconhecer rostos e focar no detalhe.
  • Fenômeno de Uhthoff — piora da visão com calor, exercício físico ou febre. É um marcador clássico de neuropatia desmielinizante. Tende a melhorar com o resfriamento.
  • Fenômeno de Pulfrich — percepção de movimento alterada, especialmente em objetos em movimento com fundo escuro (efeito da condução assimétrica do nervo afetado).

Quem costuma ter

A neurite óptica típica acomete predominantemente mulheres jovens (3:1) entre 20 e 40 anos. Em populações de ascendência europeia, a associação com esclerose múltipla é alta — até metade dos casos apresenta sinais radiológicos de desmielinização no diagnóstico. Em populações asiáticas e afrodescendentes, a proporção de NMOSD é maior.

Sinais que indicam neurite atípica

Nem toda neurite óptica é por esclerose múltipla. Alerta para formas atípicas (NMOSD, MOGAD, infecciosa, autoimune):

  • Bilateral simultânea ou sequencial (especialmente em horas a dias) — sugere NMOSD ou MOGAD
  • Dor muito intensa e persistente
  • Perda visual grave (< 20/200) ou completa
  • Papilite severa com hemorragia peripapilar
  • Ausência de recuperação após 3-4 semanas
  • Recidivas frequentes no mesmo olho
  • Idade fora da faixa típica — crianças, idosos
  • Sintomas sistêmicos — febre, sintomas neurológicos, rash, artralgias
  • Resposta paradoxal a corticoide oral
Diagnóstico

Como identificar no exame clínico

A suspeita é clínica. Os achados típicos ao exame oftalmológico inicial são:

  • Acuidade visual reduzida — desde leve embaçamento até percepção de luz
  • Discromatopsia — desaturação de cores, principalmente vermelho, desproporcional à perda de acuidade
  • Defeito pupilar aferente relativo (RAPD) — ao teste da lanterna oscilante, a pupila do olho afetado dilata paradoxalmente quando a luz é transferida para ela. Este é o sinal clínico mais específico de neuropatia óptica unilateral.
  • Exame do fundo de olho — em 2/3 dos casos, o disco óptico aparece normal (neurite óptica retrobulbar — 'nem o paciente, nem o médico vê nada'). No 1/3 restante, há papilite (disco óptico edemaciado, hiperêmico, com ou sem hemorragias peripapilares).
  • Campimetria (campo visual) — demonstra escotoma central ou centrocecal típicos; padrões altitudinais ou arciformes sugerem outros diagnósticos.

Exames complementares — o 'pacote' de investigação

  • RM de crânio e órbitas com gadolínioexame-chave. Na fase aguda, mostra realce do nervo óptico afetado (hiperintenso em T2 com contraste). Mais importante ainda: identifica lesões desmielinizantes no encéfalo e medula, permitindo estimar o risco de conversão para esclerose múltipla (critério de McDonald). A RM também orienta a investigação para NMOSD (lesões extensas longitudinais da medula) e MOGAD (padrões específicos de realce).
  • OCT de nervo óptico e células ganglionares — na fase aguda pode mostrar edema da camada de fibras nervosas; após 6-8 semanas quantifica a perda estrutural. Fundamental para acompanhamento longitudinal.
  • Campimetria automatizada (Humphrey 30-2) — documenta o escotoma inicial e acompanha a recuperação.
  • Painel sérico:

Anti-AQP4 (aquaporina-4) — essencial para NMOSD

Anti-MOG (glicoproteína oligodendrócito-mielina) — essencial para MOGAD

VDRL, FTA-ABS — sífilis

ANA, SS-A/SS-B, ENA — doenças autoimunes sistêmicas

ECA sérica, cálcio, radiografia de tórax — sarcoidose

Sorologias para Lyme, bartonela, HIV e tuberculose conforme contexto

B12, folato, cobre — em suspeita de neuropatia nutricional

  • Punção lombar (liquor) — em casos atípicos ou com RM alterada. Busca bandas oligoclonais (marcador de síntese intratecal de IgG, presente em ~95% dos casos de esclerose múltipla), pleocitose, glicose, proteínas, sorologias.
  • Potencial evocado visual (PEV) — útil em casos atípicos, com achados sutis ou suspeita de desmielinização subclínica no olho contralateral.

Diagnóstico diferencial

A neurite óptica pode ser confundida com várias outras condições — cada uma exige manejo diferente:

  • Neuropatia óptica isquêmica anterior (NAION) — pacientes >50 anos, geralmente sem dor, perda altitudinal (metade superior ou inferior do campo), disco pálido com edema. Fatores de risco vasculares, apneia do sono, medicamentos.
  • Arterite de células gigantes (NOIA arterítica) — idoso >70 anos, cefaleia temporal, claudicação mandibular, VHS/PCR elevados. Emergência médica — corticoide IV imediato.
  • Neuropatia óptica hereditária de Leber (LHON) — jovens, bilateral lenta, defeitos centrocecais, ausência de dor, mutações mitocondriais (11778, 3460, 14484). Homens mais frequentemente.
  • Neuropatia óptica compressiva — por tumores, meningiomas, adenomas hipofisários. Progressão lenta, campimetria mostra defeitos que respeitam a linha vertical (quiasmal) ou hemianópticos.
  • Neuropatia óptica nutricional ou tóxica — deficiências (B12, folato, cobre), tabagismo, álcool, metanol, etambutol, cloroquina. Bilateral, indolor, progressiva, discromatopsia.
  • Papiledema por hipertensão intracraniana — disco edemaciado bilateralmente, cefaleia, obscurações visuais transitórias. Exige neuroimagem + punção lombar.
  • Orbitopatia inflamatória (celulite orbitária, miosite, pseudotumor) — proptose, dor à palpação, edema palpebral, restrição de movimentos oculares. Exige imagem orbitária.
Contato rápido

Próximos passos para neurite óptica

Se neurite óptica se parece com o seu quadro, a equipe pode orientar pelo WhatsApp qual especialista costuma avaliar, quais exames entram primeiro e quando vale acelerar a consulta.

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Tratamento

Quando procurar atendimento — e onde

Sintomas iniciais de neurite óptica são emergência relativa. A perda visual com dor aos movimentos oculares merece avaliação em horas a poucos dias, não semanas.

  • Avaliação ambulatorial rápida — perda visual unilateral isolada, sem sinais sistêmicos, paciente estável: consulta neuroftalmológica com RM agendada em 24-72 horas
  • Avaliação hospitalar imediata — qualquer uma das situações abaixo

Indicações de avaliação hospitalar e internação

  • Perda visual grave (< 20/200) ou progressiva em horas
  • Bilateral simultânea ou sequencial — sugere NMOSD/MOGAD, alto risco de cegueira
  • Sintomas neurológicos associados (fraqueza, parestesias, alteração de marcha, disfunção esfincteriana) — sugere EM/NMO em surto
  • Sinais de doença sistêmica grave — febre, sinais meníngeos, alteração de consciência
  • Necessidade de pulsoterapia endovenosa (acesso venoso, monitorização)
  • Paciente com comorbidades (diabetes, HAS descontrolada, cardiopatia) que aumentam risco da corticoterapia em alta dose
  • Diagnóstico ambulatorial inconclusivo — neurologia + neuroftalmologia + exames hospitalares em conjunto

O Dr. Samir atende no hospital

O Dr. Samir Cavero Crespo, neuroftalmologista da equipe, realiza visitas hospitalares em casos graves, agudos ou com indicação de internação. Essa flexibilidade permite que a avaliação neuroftalmológica aconteça junto com a neurologia ainda no momento mais crítico — discussão do diagnóstico, planejamento de exames, início da pulsoterapia e coordenação do seguimento. Se você ou um familiar está internado com suspeita de neurite óptica, entre em contato com a clínica para organizar a avaliação hospitalar.

Tratamento do quadro agudo

O referencial clínico para tratamento é o estudo Optic Neuritis Treatment Trial (ONTT), publicado em 1992 no *New England Journal of Medicine*:

  • Pulsoterapia com metilprednisolona IV 1 g/dia × 3-5 dias — acelera a recuperação visual (reduz o tempo até retorno da visão) mas não muda o desfecho visual final — em prazo de meses, pacientes tratados e não tratados tendem a ter visão similar.
  • Desmame com prednisona oral 1 mg/kg/dia — geralmente por 11 dias, com redução gradual.
  • Prednisona oral isolada está contraindicada — o braço 'prednisona oral apenas' do ONTT mostrou risco aumentado de recidiva. Corticoide oral é usado apenas após pulsoterapia IV, no desmame.
  • Plasmaférese (plasma exchange) — em casos refratários à pulsoterapia, especialmente NMOSD e MOGAD severos. Realizada em ambiente hospitalar, em regime de 5-7 sessões em dias alternados.
  • Imunoglobulina intravenosa (IVIG) — opção em casos selecionados (MOGAD pediátrica, contraindicações a plasma exchange).

Tratamento da doença de base

O resultado da investigação define o seguimento longitudinal — e o seguimento é pelo menos tão importante quanto o tratamento agudo:

  • Esclerose múltipla — acompanhamento com neurologia, terapia modificadora da doença (DMT): interferon beta, acetato de glatirâmer, fumarato de dimetila, fingolimode, ocrelizumabe, cladribina — conforme perfil e disponibilidade.
  • NMOSD (anti-AQP4 positivo) — imunossupressão crônica: rituximabe, eculizumabe, inebilizumabe, satralizumabe, azatioprina, micofenolato. O risco de recidiva é alto e o acúmulo de sequelas visuais e medulares é substancial.
  • MOGAD (anti-MOG positivo) — corticoterapia prolongada com desmame lento; em recidivantes, imunossupressão com rituximabe, IVIG, azatioprina.
  • Causas infecciosas — tratamento específico (penicilina IV para sífilis, ceftriaxona para Lyme, doxiciclina para bartonelose, antituberculosos em esquema RIPE).
  • Sarcoidose e autoimunes — corticoterapia prolongada + imunossupressão conforme reumatologia.

Prognóstico

Na neurite óptica desmielinizante típica, mais de 90% dos pacientes recuperam visão ≥ 20/40 em 6-12 meses, mesmo sem tratamento. A recuperação costuma começar em 2-3 semanas. No entanto, ~30% mantêm sequelas residuais (discromatopsia persistente, fenômeno de Uhthoff, redução sutil de contraste). Em NMOSD e MOGAD o prognóstico é mais reservado e a prevenção de recidivas com imunossupressão crônica é decisiva.

Orientações ao paciente durante e após o quadro

  • Evitar calor intenso, sauna, banho muito quente e exercício físico intenso enquanto o quadro agudo estiver ativo (fenômeno de Uhthoff)
  • Retornar imediatamente se houver novo episódio de perda visual, sintomas neurológicos novos ou acometimento do outro olho
  • Manter seguimento rigoroso com neurologia e neuroftalmologia — mesmo após recuperação completa, novas RMs e campimetrias guiam decisões de prevenção de recidiva
  • Vacinação e prevenção infecciosa — importante em pacientes em imunossupressão crônica

Referências

Beck RW, Cleary PA, Anderson MM Jr, et al. A randomized, controlled trial of corticosteroids in the treatment of acute optic neuritis — the Optic Neuritis Study Group (ONTT). *N Engl J Med.* 1992;326(9):581-588. PubMed PMID: 1734247.

Optic Neuritis Study Group. The 5-year risk of MS after optic neuritis. Experience of the Optic Neuritis Treatment Trial. *Neurology.* 1997;49(5):1404-1413. PubMed PMID: 9371931.

Optic Neuritis Study Group. Visual function 15 years after optic neuritis: a final follow-up report from the Optic Neuritis Treatment Trial. *Ophthalmology.* 2008;115(6):1079-1082. PubMed PMID: 17908591.

Petzold A, Braithwaite T, van Oosten BW, et al. Case for a new diagnostic algorithm in optic neuritis. *Lancet Neurol.* 2014;13(1):83-99. PubMed PMID: 24331200.

Bennett JL. Optic Neuritis. *Continuum (Minneap Minn).* 2019;25(5):1236-1264. PubMed PMID: 31584536.

Wingerchuk DM, Banwell B, Bennett JL, et al. International consensus diagnostic criteria for neuromyelitis optica spectrum disorders. *Neurology.* 2015;85(2):177-189. PubMed PMID: 26092914.

Banwell B, Bennett JL, Marignier R, et al. Diagnosis of myelin oligodendrocyte glycoprotein antibody-associated disease: International MOGAD Panel proposed criteria. *Lancet Neurol.* 2023;22(3):268-282. PubMed PMID: 36706773.

American Academy of Ophthalmology — EyeWiki. Optic Neuritis.

Equipe médica

Neuroftalmologia na Ortolan — avaliação hospitalar disponível

A neurite óptica é uma das condições mais representativas da neuroftalmologia: exige diagnóstico rápido, diferenciação precisa entre causas desmielinizantes, atípicas e emergenciais, e coordenação com neurologia. O Dr. Samir Cavero Crespo atende no consultório e realiza visitas hospitalares em casos agudos, graves ou internados — modelo que reduz o tempo até pulsoterapia e melhora o desfecho funcional.

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Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre Neurite Óptica

Neurite óptica é grave?

Pode ser. O quadro típico desmielinizante recupera visão na maioria dos casos — mais de 90% voltam a ≥ 20/40 em 6-12 meses. Mas a forma atípica (NMOSD, MOGAD, infecciosa) pode deixar sequelas graves e recidivar. Mais ainda: o primeiro episódio pode ser o primeiro sintoma de esclerose múltipla — o diagnóstico precoce muda o curso da doença. Por isso a avaliação é sempre urgente.

Vou ter esclerose múltipla?

Nem todos. O estudo ONTT mostrou que cerca de 50% dos pacientes desenvolvem EM em 15 anos após uma neurite óptica isolada. O risco depende principalmente da RM inicial: se a RM de crânio mostra lesões desmielinizantes típicas, o risco é bem maior; se normal, o risco cai pela metade. A neurologia define o seguimento e, se indicado, terapia modificadora da doença precoce reduz esse risco.

Por que faz ressonância?

A RM de crânio e órbitas com contraste é o exame-chave por três razões: (1) confirma a inflamação do nervo óptico (realce agudo); (2) estratifica o risco de esclerose múltipla (presença de lesões desmielinizantes no encéfalo); (3) diferencia NMOSD e MOGAD pelos padrões radiológicos. Sem RM, a investigação fica incompleta.

Preciso internar?

Depende da gravidade e do acesso à pulsoterapia. Casos bilaterais, com perda visual grave, sintomas neurológicos associados ou comorbidades que aumentam risco da corticoterapia costumam ser conduzidos em ambiente hospitalar. O [Dr. Samir](/dr-samir-cavero-crespo) realiza avaliação neuroftalmológica diretamente no hospital nesses casos, agilizando o início do tratamento.

Corticoide oral resolve?

Não — e pode piorar. O estudo ONTT demonstrou que prednisona oral isolada aumenta o risco de recidiva. O tratamento padrão é metilprednisolona IV em alta dose por 3-5 dias, seguida de desmame com prednisona oral. Só faça corticoide oral após pulsoterapia IV adequada.

A dor é sempre presente?

Em aproximadamente 90% dos casos típicos, sim — dor retro-orbital ou à movimentação do olho. A ausência de dor em paciente >50 anos com perda visual súbita deve levantar suspeita de neuropatia óptica isquêmica (NAION) ou arterite de células gigantes, que têm tratamento diferente.

O que é o fenômeno de Uhthoff?

É a piora visual transitória desencadeada por aumento da temperatura corporal — calor, exercício físico, sauna, febre. É um marcador clássico de neuropatia desmielinizante: a bainha de mielina inflamada conduz pior quando aquecida. Ao resfriar, a visão melhora. Não é uma recidiva nova, mas o paciente deve evitar essas situações na fase aguda.

Posso fazer exercício após o quadro?

Durante a fase aguda, é prudente evitar exercícios intensos e exposição a calor (fenômeno de Uhthoff). Após a recuperação, a atividade física regular é benéfica e fortemente recomendada em pacientes com esclerose múltipla — inclusive como parte da reabilitação. A orientação específica é dada pela neurologia.

Neurite óptica pode voltar?

Sim. No contexto de esclerose múltipla, NMOSD ou MOGAD, as recidivas são parte do curso da doença — por isso o acompanhamento longitudinal e a imunossupressão (quando indicada) são decisivos para evitar acúmulo de lesões visuais e neurológicas. Em neurite óptica idiopática isolada, o risco de recidiva é menor, mas ainda existe.

Criança também tem neurite óptica?

Sim, mas o perfil é diferente. Na população pediátrica a causa mais comum é a MOGAD (anti-MOG positivo), com predomínio de apresentações bilaterais e papilite severa. O tratamento envolve corticoterapia prolongada com desmame lento, e a confirmação dos anticorpos MOG é parte rotineira da investigação. O acompanhamento é multidisciplinar (oftalmologia, neurologia pediátrica, reumatologia).

Homem pode ter neurite óptica?

Sim, embora a incidência seja maior em mulheres (3:1 na forma desmielinizante típica). Em homens, especialmente jovens, é importante considerar também a neuropatia óptica hereditária de Leber (LHON) como diagnóstico diferencial — quadro bilateral, indolor, com defeitos centrocecais, causado por mutações mitocondriais e frequentemente subdiagnosticado.

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